Crise capitalista

Executivo revela que o monopólio da comunicação é insustentável

A Oi, empresa de telecomunicações brasileiras, corre o risco de ser repartida por empresas imperialistas ou até mesmo deixar de existir

Em entrevista ao Estadão o presidente da Oi, Rodrigo Abreu, disse que “Se nada mudar, a companhia perde sua capacidade de investimento e fica insustentável no longo prazo”, ao apresentar aditamento no seu plano de recuperação judicial, inicialmente apresentado em dezembro de 2017.

O plano de recuperação judicial da empresa, no início, previa a partilha da Oi em 4 partes (UPIs) para que pudesse receber investimento de compra e sanar as dívidas com bancos credores. As quatro partes correspondiam a redes móveis, torres, data centers e infraestrutura de fibra. O novo plano prevê também que haja mais uma UPI, a de televisão digital, além de outros pontos correspondentes ao financeiro da empresa.

A empresa brasileira tem sofrido muito nos últimos anos com a perda de clientes e de competitividade frente ao monopólio internacional que domina o país, demonstrando não só o tamanho da crise capitalista mas também como a era em que vivemos, a era imperialista, não permite a livre concorrência, ao contrário do que dizem os liberais.

O início da crise se deu com a compra da empresa Portugal Telecom, em que a Oi foi obrigada a assumir uma dívida bilionária após a fusão das duas empresas, o que não havia ficado muito claro antes da compra da empresa de telecomunicações de Portugal.

A crise na Oi também demonstra como a privatização é prejudicial para a economia do país, pois a empresa é o resultado do desmembramento e da privatização da Telebrás, empresa responsável pelas telecomunicações no Brasil e que foi privatizada durante os anos do governo de Fernando Henrique Cardoso.

Em 1998, a Telebrás foi desmembrada e os serviços em telefonia fixa foram separados dos serviços de telefonia móvel. Os serviços de telefonia móvel passaram a atuar através da empresa Telemar, que atuava de forma fragmentada através de 16 empresas. Já em 2007 a Telemar se unificou e passou a se chamar Oi.

Agora, a Oi poderá não só ser repassada ao consórcio de empresas de telecomunicações do imperialismo que agem no Brasil, como também pode simplesmente deixar de existir. Apesar de a venda dos ativos da Oi para o consórcio imperialista formado pela Claro, pela Tim e pela Vivo sofrer inúmeras restrições do Cade, há a possibilidade de que as três empresas fiquem com a empresa brasileira. Outra opção é a compra por parte da Highline, empresa pertencente ao grupo de investidores norte-americanos Digital Colony.

O aditamento ao plano de recuperação judicial da Oi será votado em assembleia pelos credores da empresa em setembro.

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