Cerca de 150 trabalhadores foram alvos de uma violência bastante peculiar na cidade de Campina Grande na última segunda-feira (27). Em plena pandemia do novo Coronavírus, que já vitimou milhares de brasileiros e ameaça colocar em colapso a saúde pública nacional, os donos de lojas convocaram seus funcionários para ajoelhar e clamar às autoridades pela reabertura do comércio.
A manifestação externou o pedido da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Campina Grande, que ajuizou ação buscando a normalização do funcionamento das lojas do centro da cidade. O pedido, que buscava, mediante decisão liminar, a retomada do pleno funcionamento de comércios “essenciais ou não essenciais” foi negado em segunda instância. O motivo apontado pelos patrões é o mesmo bordão dos capitalistas que vem sendo repetido a cada dia mais ao redor do mundo; o de que a não reabertura causará a falência das lojas e o desemprego dos funcionários.
Desde o início da pandemia, os fios das relações contraditórias do mundo foram desencapados. Nos países desenvolvidos, a diretriz é derramar trilhões de dólares no “mercado” (leia-se bancos e grandes empresas) na tentativa inglória de salvar um sistema fadado ao fracasso e, de quebra, garantir a estabilidade social minimizando o número de mortos. Mesmo lá, contudo, a paralisia econômica já faz efeito e a reabertura do comércio já vem sendo operada, ainda que muitos cientistas defendam ser uma medida precipitada e perigosa.
Nos países oprimidos, sobretudo no Brasil, a palavra de ordem é diferente. Os capitalistas, cientes de que a economia bolsonarista já era um fracasso e que o governo federal pouco fará para salvar qualquer capitalista além dos banqueiros, tomam medidas que visam a morte da população. De certa forma, a pulsão de morte evidencia o fracasso da burguesia nacional, que nunca soube se posicionar ante o imperialismo e sequer consegue manter a ordem social por alguns meses com o enorme excedente acumulado pela extração da mais-valia no último período de crescimento nacional.





