A decisão da Federação Única dos Petroleiros (FUP) em apoiar a decisão que seria tomada pela assembleia dos trabalhadores da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen PR), convocada pelo Sindiquímica PR e realizada na terça-feira (3/3), que resultou no acatamento da proposta do TST e na consequente demissão de cerca de 1 mil trabalhadores, foi a “pá de cal” que faltava para determinar a derrota de uma das greves mais combativas dos últimos anos e que tinha como característica central ser uma greve abertamente política contra o governo Bolsonaro em defesa da Petrobras e, em particular contra o fechamento da Fafen e em solidariedade aos seus trabalhadores.
Mas do que um problema de culpar a FUP ou o Sindiquímica como responsáveis pela consequências nefastas com a derrota da greve – fechamento e demissões na Fafen, multas milionárias contra os sindicatos, penalização dos trabalhadores com o desconto e reposição dos dias parados – e ainda, sem nenhuma garantia que a tabela de turnos, horas-extras, entre outras questões sejam revistas pela empresa, trata-se de se fazer um balanço crítico da política dessas direções, mas, também, da CUT, sindicatos e da esquerda em geral.
O desmonte da Petrobras, obviamente não é um problema que atinge somente os petroleiros – praticamente no mesmo dia em que foi suspensa a greve, a Petrobras reafirmou a sua intenção de vender 9 das 13 refinarias do País -, mas uma questão que diz respeito ao conjunto dos trabalhadores das empresas públicas e estatais, ao funcionalismo público e dos trabalhadores em geral, com as dezenas de milhões de desempregados ou subempregados como consequência da política destruidora do Brasil pelo governo golpista de Bolsonaro.
Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Eletrobras, para ficar apenas em alguns exemplos, sofrem processos de desmonte que passam por venda de ativos, privatização e um ataque sem limites aos seus trabalhadores, com demissões, destruição dos planos de saúde, rebaixamento salarial, entre outros ataques.
O problema que se coloca é, por que não ter uma política de unificação dessas e outras categorias? Por que não apontar uma luta de conjunto quando todas têm o mesmo patrão? Por que não lutar para por abaixo um governo e um regime político saído do golpe de 2016, que tem como fundamento central a liquidação do País? Essas são as questões que devem ser consideradas e isso, em um momento que é clamor nacional o Fora Bolsonaro, como se viu no carnaval que acabou de se encerrar.
Esperar 2022 para tirar Bolsonaro? Até lá todas essas empresas estarão liquidadas e a se ver pelo golpe nas eleições de 2016, 2018 e na de 2020, que fatalmente ocorrerá, não é muito animador acreditar que as urnas são um campo privilegiado para os explorados e para a esquerda no País.
Nesse momento, um conjunto de parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná capitaneado pelo PSDB, do fascista Ratinho Júnior, governador do Estado, e como não poderia deixar de ser, com o apoio de parlamentares da esquerda, está reivindicando uma audiência com a direção da Petrobras, com o objetivo de negociar a manutenção do funcionamento da Fafen no Estado. Esse é um beco sem saída para os trabalhadores, a começar pelos petroleiros da Fafen e pior ainda, para os terceirizados, que sequer foram “contemplados” no plano de demissão da empresa, todos condenados a se somarem ao exército de desempregados no País.
Em resumo, existe um problema político que é único para todos os trabalhadores. Não se trata de um problema sindical – cada “macaco no seu galho”, cada um com suas reivindicações -, mas a recusa sistemática em dar um caráter de luta aberta contra o governo fascista de Bolsonaro, acreditando que as eleições, a política de Frente Ampla de acordo com o “Centrão”, será possível de impedir a destruição do País, quando é o próprio “Centrão” (DEM, PSDB, MDB) em conjunto com o bolsonarismo, são os que promovem essa destruição.
A greve dos petroleiros foi derrotada, mas ao contrário do que aconteceu em 2005, trata-se de uma derrota parcial, como podemos atestar pela própria insatisfação com o acordo na base do petroleiros, mas, também, pela tendência a mobilização presente em outras categorias.
Cabe à CUT cumprir o papel para o qual foi criada, que é a de promover a luta de conjunto dos explorados, único sentido da sua existência, tendo como eixo central levar os trabalhadores às ruas, às greves, que só pode ser real com a luta para por abaixo o governo e todos os golpistas.
As condições estão dadas!




