Mais de 3,8 milhões de americanos solicitaram auxílio-desemprego na sexta semana de isolamento social, encerrada em 25 de abril. Assim, o total de desempregados em apenas seis semanas nos EUA superou 30 milhões de pessoas.
Esse número altíssimo representa uma queda em relação à semana anterior, quando 4,442 milhões de pessoas entraram com o pedido do benefício, mas supera o que os economistas esperavam para sexta semana, que era 3,5 milhões de pedidos.
Essa taxa absurdamente alta de desemprego se reflete no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que caiu 4,8% no primeiro trimestre de 2020, conforme divulgado na quarta-feira (29/04) pelo U.S Bureau of Economic Analysis (BEA), escritório de estatísticas econômicas do país.
Mas ainda resta mais uma semana neste mês, e alguns economistas já estão prevendo que a taxa de desemprego em abril possa atingir os 20%. Caso se confirme será a taxa de desemprego mais alta desde que atingiu os 25% durante a ‘Grande Depressão’ na década de 1930.
Foram milhões de empregos desaparecendo toda semana neste um mês e meio, o que contrasta com o recorde semanal de pedidos por seguro-desemprego anterior a esta crise, e que não chegou a 700.000.
O que vemos então é uma verdadeira catástrofe. Nessas seis semanas as desigualdades sociais ficaram mais agudas ainda nos EUA, já que o sistema que analisa e libera o seguro-desemprego nos EUA é extremamente burocrático e lento – alegam que é para evitar fraudes -, e não consegue dar vazão a tantos milhões de pessoas pedindo em tão pouco tempo.
As condições de vida da população americana já vinham se deteriorando nos últimos anos. Um dos indicadores disso é que eles tem o maior índice de mortalidade infantil entre os países ricos – segundo estudo divulgado pela revista Health Affairs em 2018, a chance de crianças norte-americanas de até um ano morrerem é 75% maior do que em outras nações ricas. Outro fato é terem conseguido diminuir a expectativa de vida de quem nasce hoje nos EUA – em 2017, a expectativa média de vida no momento do nascimento era de 78,6 anos, contra 78,9 em 2014, além de ser cerca de 3,5 anos menor que o vizinho Canadá. Essa tendência de queda na expectativa de vida só ocorreu anteriormente durante a gripe espanhola, em 1918. Esses dois índices, mortalidade infantil e expectativa de vida, são causados em grande parte pelo fato dos EUA não terem um sistema público e universal de saúde. Quem tem emprego pode talvez ter um seguro-saúde privado. E quem está desempregado? Tem que pagar do próprio bolso, se tiver como.
São 30 milhões de novos desempregados sem saúde alguma e no meio de uma pandemia de alta letalidade. Uma verdadeira aula do que significa viver no país mais importante do capitalismo.
Essa situação reflete o avanço da crise histórica do capitalismo. Não foi o coronavírus que derrubou a economia americana, mas apenas acelerou a queda, já que nem os EUA nem o resto dos países capitalistas se recuperou do colapso de 2008. Os índices de mortalidade infantil e expectativa de vida já antes da pandemia são a expressão dessa crise cada vez mais aguda e mostram a total incompatibilidade entre o modo de produção capitalista e o que chamamos de humanidade.
Quando o país mais rico do planeta não mantém sua população viva e com saúde, mas prefere salvar os lucros dos capitalistas exploradores, temos um crime. Quando esse país não consegue manter seus escravos vivendo nem mesmo como escravos, mas os deixa sem emprego e não os socorre quando mais precisam, temos o mesmo crime. Esse crime tem nome, e se chama capitalismo.




