Fora clube empresa!

Crise pode ser pretexto para integrar futebol brasileiro ao europeu

Fora o imperialismo e seus lacaios do nosso futebol. A sanha capitalista procura usar o coronavírus para destruir e torcem pra isso pela falência de muitos dos clubes tradicionais.

No último dia 9 de abril, mais uma de muitas matérias publicadas na imprensa capitalista, dava novamente, propaganda à questão da transformação dos clubes de futebol brasileiros em clubes empresas. Tal intenção já vem há anos sendo tentada por importantes setores capitalistas ligados ao esporte, ou mesmo de fora dele e com os últimos anos. E com a ascensão da direita e da extrema direita através do golpe de Estado, mais de um projeto de lei se encontram na Câmara dos deputados em, Brasília e no próprio Senado, em vias de possível aprovação.
A matéria no caso foi realizada pelo jornalista e blogueiro desportivo Paulo Vinícius de Mello Coelho e publicada no Blog do PVC, dentro do Jornal Globo Esporte.

Na matéria intitulada: “Especialista diz que crise gera chance de colocar futebol brasileiro na agenda do dinheiro internacional”, o especialista citado é Eduardo Carlezzo, advogado e sócio fundador da empresa Carlezzo Advogados. Empresa esta, que mantém um site para divulgação de seus negócios. Através do site da empresa rapidamente verificamos a nada interessada predição de Carlezzo pelo tema. Sua empresa advocatícia, realiza trabalhos voltados para o empresariado interessado em lucrar com o esporte.

Em seu site, bem produzido para atender a tais interesses capitalistas, ele apresenta no tema Gaming e apostas esportivas, entre outras coisas, um dos seus alvos: “Com a legalização do mercado de apostas esportivas no Brasil, ocorrida em dezembro de 2018, mediante a Lei n. 13.756, o país entrou definitivamente no radar de todas as grandes empresas internacionais envolvidas com a indústria de apostas, tendo em vista a perspectiva de tornar-se rapidamente um dos principais mercados do mundo para empresas deste setor. Nosso escritório mantém permanente contato com o mercado internacional da indústria de jogos e possui parcerias estratégicas com escritórios de advocacia sediados nas principais jurisdições desta indústria, o que nos capacita a atender os interesses de nossos clientes de forma global.”

Em outro campo de assuntos apresenta: “A indústria do esporte é um dos setores que mais tem condições de oferecer visibilidade a empresas que tenham por objetivo associar-se à marca de um atleta, clube ou federação.
Os patrocínios esportivos são o principal mecanismo para dar-se visibilidade a esta relação e podem ser realizados de inúmeras formas, tanto pela tradicional associação à camiseta de um clube como para negócios mais complexos que envolvam o naming rights de um estádio, por exemplo.

Além disto, o esporte propicia também às empresas e investidores um segmento com bom potencial de retorno no que tange a realização de investimentos de longo prazo que passem, por exemplo, pela gestão ou aquisição de um clube de futebol.”

Então como visto o convidado tem interesses diretos no assunto, sua conta bancária está no horizonte.
Na matéria, PVC, antes de entrar na entrevista propriamente dita, cita o avanço dos clubes empresas, na premier League, da Inglaterra, onde poderosos empresários já controlam 75% dos clubes da primeira divisão inglesa. Entre estes os tradicionais clubes e de grandes torcidas, como o Arsenal, Liverpool, Manchester United que são controlados por capitalistas norte-americanos, que concorrem com Manchester City controlado por sheik dos Emirados Árabes Unidos, clube que arrebatou o prodígio brasileiro Gabriel Jesus(ex Palmeiras e da Seleção Brasileira) e Chelsea e Bournemouth controlados pelos russos. Cita também a Itália, com o exemplo do Milan, arrebatado pelo poderoso capitalista e mafioso Silvio Berlusconi em 2012 e depois vendido para chineses e norte-americanos.

Dito isso, PVC realiza a entrevista, onde Carlezzo, com a pompa de especialista em direito esportivo, já inicia dizendo que com a epidemia do coronavírus será a chance para os clube empresas entrarem de vez no futebol brasileiro, que já tem clubes como o Botafogo RJ e Red Bull Bragantino exemplos da situação. Ele apresenta a crise em que se coloca também o futebol com a epidemia, como o momento para a falência de clubes menores e nesta situação, em desespero estes serão os primeiros a se render, a se entregar para a venda e administração de algum poderoso capitalista. Assim, como num ciclo vicioso, em pouco tempo também os grandes clubes terão de se render.

Para essa rendição, ele ataca um dos empecilhos a esta empreitada “Mudar a estrutura política viciada dos conselhos deliberativos e começar uma nova etapa que faça nascer uma indústria importante no país.”
Sabemos, que dentro dos chamados conselhos deliberativos dos associados, também há muitos interesses capitalistas, mas, de menor porte. E para que seus negócios rendam dentro desta estrutura os capitalistas teriam que comprar muitas pessoas, o que diminui seus lucros.

Ansioso por ver jorrar dólares em seus cofres Carlezzo é enfático: “Este é o momento ideal. Vários clubes de Séries A e B vão precisar estancar a sangria e vai jorrar muito sangue. Então, é a hora de discutir as questões emergenciais, mas olhar para as soluções de longo prazo. E só existe uma solução desse tipo. Só transformar os clubes em sociedades anônimas e produzir, em algum tempo, o ingresso de capital estrangeiro no futebol brasileiro.”

A entrevista tem outros pontos, mas para o interesse desta discussão é o suficiente. Toda a entrevista é reveladora do interesse de poderosos grupos capitalistas em adentrarem o futebol aumentando ainda mais a colonização de nosso futebol pelos capitalistas europeus, aprofundando as últimas consequências os interesses de mercado com os calendários de jogos sendo mudados de acordo com o calendário da Europa, com as regras do esporte sendo mudadas para favorecer por exemplo o mercado de apostas lotéricas mundiais como por exemplo da BET 365 e outras, com a repressão ainda maior as torcidas organizadas para não permitir que nenhum interesse econômico seja colocado em risco. Entre outros.

Portanto, mais do que nunca é preciso a mobilização das torcidas, em especial as organizadas para barrar o avanço que irá destruir o futebol brasileiro. Um ponto importante para isso é a formação de comitês de torcidas que possam organizar tal mobilização levando as massas trabalhadoras que amam o futebol a derrotar esta investida.

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