Mais de 7.769% em 4 semanas

Crise faz desemprego explodir nos Estados Unidos

Desemprego atinge 13,41% da força de trabalho norte americana, cresce no ritmo mais elevado da história do país e já se aproxima do recorde da Depressão de 1929.

O desemprego continua explodindo na principal nação capitalista do mundo. Em um intervalo de apenas 4 semanas, o total da população desempregada nos Estados Unidos saiu de 200 mil para mais de 22 milhões, um crescimento superior a 7.769%. Com esta atualização dos dados sobre o desemprego, mais de 13% dos 164 milhões de trabalhadores norte americanos se encontram sem ocupação na nação mais rica do mundo.

A velocidade com que a depressão econômica vem destruindo postos de trabalho nos Estados Unidos é sem precedente na história do país. A título de comparação, foram necessários mais de 2 anos durante a Grande Depressão de 1929, para que a taxa de desemprego saísse de 3,2%, no ano em que houve o crash da bolsa de valores de Nova Iorque (1929), para 15,9%, ao final de 1931. No estágio atual da crise capitalista, em apenas 4 semanas de desagregação acentuada, o flagelo do desemprego é 15,66% menor do que o acumulado de 2 anos.

Mantendo-se o ritmo atual de eliminação dos postos de trabalho nos EUA, indicador chave para medir a saúde de uma economia, é possível projetar para a próxima semana uma taxa de desemprego de 16,46% (3,52% maior do que em 1931 em 5 semanas), com superação do auge da Depressão (24,9% em 1933) até a segunda metade de maio. O cenário de catástrofe pode sofrer variações diversas, devemos lembrar que muita coisa pode acontecer em 4 semanas, especialmente em momentos de crise política tão intensas quanto a atual. Mas a projeção serve, acima de tudo, como alerta para a gravidade da situação enfrentada, e uma lembrança de que a desgraça está recaindo apenas para a classe trabalhadora.

Longe dos dramas enfrentados pelos trabalhadores estadunidenses e perto o bastante dos cofres públicos para não entrar em desespero, os grandes tubarões do capitalismo imperialista, o setor mais poderoso da burguesia composto pelos banqueiros tem “sofrido” dramas muito peculiares. Sobrevivente de 1929, o tradicional JPMorgan anunciou nesta terça-feira, 14 de abril, queda de 69%, porém nos lucros. Não deixaram de lucrar, só estão lucrando menos. Outros gigantes das finanças, igualmente remanescentes da Depressão ocorrida quase 100 anos atrás, o Bank of America anunciou nesta quarta-feira, 15 de abril, queda nos lucros de 45%, enquanto o famigerado Goldman Sachs reportou, na mesma data do Bank of America, redução nos lucros de 46%.

Os anúncios do sofrimento dos banqueiros, numa dessas incríveis coincidências do mundo capitalista, acontecem praticamente juntos da nova orientação política defendida pelos governos mais alinhados ao imperialismo, de que o pior da pandemia já passou e está na hora dos trabalhadores voltarem a produzir riquezas, deixando claro que mesmo na principal nação imperialista do planeta, o valor da classe trabalhadora é, no mínimo, análogo ao dos escravos das formações econômicas pré-capitalistas.

O descalabro deixa claro, mais uma vez, que mesmo no país capitalista mais desenvolvido do mundo, não há conciliação de classes possível em nenhuma espécie. Só a saída revolucionária pode livrar os trabalhadores americanos da mortandade certa que a grande burguesia imperialista pretende submetê-los, símbolo inconteste da degeneração social completa de nossa era histórica.

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