Limpeza social de Covas-Dória

Covas vai aumentar número de contaminados com abrigo fechado

O fascista Bruno Covas, mesmo com decisão judicial, não reabre os abrigos. Política de beneficiar burguesia abandona os dependentes químicos à sua própria sorte

cracolandia

Seguindo a linha de seu antecessor, João Dória, o prefeito Bruno Covas mantém uma condução política digna do fascismo alemão em ação na cidade de São Paulo. Essa é a clara demonstração dado pelo governo municipal ao desconsiderar até mesmo determinação judicial, que proibia o fechamento de um serviço de atendimento social na Cracolândia, centro da capital paulista. O chamado Atende 2 tinha capacidade para acolher 300 pessoas ao longo do dia e 140 pessoas para pernoite.

A Prefeitura de São Paulo, para aumentar a verba disponível à burguesia, transferiu o serviço, que também inclui água e alimentação, para a unidade do Glicério porém oferecendo menos vagas, apenas 200 para atendimento diurno e pernoite, menos da metade do serviço anterior que já não comportava a população que necessitava. Apesar da multa, anunciada de 100 mil reais por dia em caso de descumprimento, Covas não ligou e manteve o local fechado ao longo da última quarta feira.

Segundo Davi Quintanilha, coordenador auxiliar do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos: ”Uma operação de fechamento do equipamento de saúde e assistência nesse momento, que envolve presença policial e expulsão de pessoas, além de diminuir o pouco do que está sendo ofertado pelo município, ainda vai trazer o caos a uma região que já é a maior ‘ferida social’ da cidade”.

Como não podia deixar de ser, no contexto de acentuação da luta de classes, nem todos estão lamentando a ação da prefeitura, embora somente uma minoria desprezível (de muitas maneiras) esteja efetivamente comemorando. Alvo de assédio da especulação imobiliária, a região passou a conviver com incêndios e desabamentos suspeitos de prédios há tempos, ao mesmo tempo em que estudiosos apontam uma tendência de se reproduzir na, região central da cidade, a chamada “gentrificação”, processo de revitalização do aparelho urbano, geralmente ocorrido em áreas degradadas, onde um público mais endinheirado é atendido em detrimento dos moradores originais, pobres, que acabam sendo expulsas de suas localidades pela impossibilidade de arcar com a elevação dos custos, que geralmente sobem de maneira exorbitante. Se nas grandes cidades dos países imperialistas esse processo é mais velado, em São Paulo, a brutalidade tradicional com que a burguesia trata as maiorias trabalhadoras e pobres segue o padrão da superexploração a que a classe trabalhadora é submetida.

Em meio a pandemia e ao sofrimento da população pela doença e dificuldades financeiras o governo atua em várias esferas para impor um tacão de ferro contra a população e os serviços públicos, enquanto economiza recursos públicos à burguesia paulistana e presta toda a assistência necessária para a especulação imobiliária.

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