Polarização

Comunistas lideram pesquisa no Chile; extrema-direita logo atrás

Com o país polarizado, o povo chileno ocupa as ruas, rejeita o governo e o neoliberalismo; mesmo com política reformista, comunistas ganham destaque

Daniel Jadue, prefeito da comuna de Recoleta (uma das mais humildes da Região Metropolitana de Santiago), foi apontado como favorito por 15,7% dos entrevistados, em uma pesquisa realizada pelo instituto Data Influye, do Chile, superando o segundo lugar na pesquisa, Joaquín Lavín, este do partido pinochetista UDI (União Democrata Independente), e um concorrente que representa a antítese do comunista, e que também é prefeito, mas de Las Condes, uma das comunas mais ricas de Santiago.

Essa notícia não teria nada de mais se ele não fosse um candidato do Partido Comunista liderando as pesquisas. Isso porque, o Chile tem à sua frente, no cargo de presidente Sebastián Piñera, um conservador, detentor de uma fortuna estimada em US$ 2,7 bilhões, de acordo com a revista “Forbes”, venceu as eleições presidenciais como o candidato preferido entre empresários e investidores para comandar o país, e foi eleito no segundo turno com 54,58% dos votos pela coalizão de centro-direita “Vamos Chile”, sucedendo o governo de  Michelle Bachelet que finalizou seu mandato em 2017.

Apesar da vitória, a realidade é que se trata de uma fraude eleitoral contestada pela prática, onde não mostra nenhuma popularidade, pelo contrário, tem enfrentado já há mais de um ano, uma insurreição popular, tendo Piñera protagonizado vários episódios como verdadeiro fascista, principalmente em 2019, ano marcado por uma maior radicalização nas manifestações das ruas, com ataque a postos policiais e delegacias, e o povo exigindo uma assembleia constituinte.

Dentre estes episódios destaca-se o ato público de setembro de 2019, contando com a presença de milhares de pessoas, e reclamando justiça pelos mortos da ditadura. Para esse ato contra Pinochet, que aconteceu alguns dias antes do aniversário de 46 do golpe de Estado no Chile, Piñera organizou forte repressão policial, jogando gás lacrimogêneo contra os manifestantes, canhões de jato d’água, e detendo 23 pessoas, sendo três delas menores de idade.

Como já era de se esperar de um regime neoliberal apoiado pelo imperialismo, com esse quadro de conflitos e rejeições ao governo, Piñera reagiu implantando uma semi-ditadura militar, com estado de sítio, de emergência, jogando os militares nas ruas, e massacrando a população.

E é nesse cenário, que a pesquisa eleitoral avaliou a popularidade dos possíveis nomes cotados para as próximas eleições, e no qual Daniel Jadue desponta como favorito, mostrando a preferência guinada à esquerda do povo chileno.

Trata-se da primeira vez que o Partido Comunista chega tão forte para as eleições no Chile, de maneira independente. Em 1970, quando fazia parte da Unidade Popular de Salvador Allende, chegou ao governo em meio a um clima de intensa polarização e agitação das massas. Agora, o cenário se repete e o povo liga o partido a uma transformação social, muito embora os comunistas chilenos não tenham nada de comunistas, tendo uma política muito mais social-democrata do que realmente revolucionária.

O segundo colocado, o fascista Joaquín Lavín, do partido pinochetista UDI (União Democrata Independente), vem tentando afastar sua imagem da extrema-direita. Em uma entrevista recente para meios locais, chegou a se definir como “social-democrata”, que é uma das máscaras da direita para ficar mais palatável ao gosto popular e enganá-lo com falsas promessas populistas.

Depois de Jadue e Lavín, o terceiro colocado é o extremista José Antonio Kast, principal aliado de Bolsonaro no Chile, com 5,3%. Em seguida, aparecem Franco Parisi (liberal, com 3,4%), Pamela Jiles (Partido Humanista, com 3,3%) e Beatriz Sánchez (Frente Ampla de Esquerda, com 3,1%).

Sebastián Piñera, tem 11% de aprovação e  69% de rejeição (1% a mais que na pesquisa anterior).

Em um momento em que a crise capitalista chega a um ponto de saturação, e agora é agravada intensamente pela pandemia do coronavírus, se desponta no horizonte o desmoronamento dos regimes políticos neoliberais, produtos de golpes de estado. O Chile a exemplo dessa política, dá os sinais de uma mudança que se avizinha, com clara demonstração popular de repúdio à direita e extrema direita.

Resta saber se a esquerda vai ocupar os espaços e liderar a povo oprimido, ou, a exemplo do PCdoB no Brasil, vai se articular com uma frente ampla e um Centrão, a pretexto de reunir todos para atacar o governo, e se aliar à direita, o mesmo grupo que elegeu o presidente golpista, para derrubá-lo e intensificar uma agenda de trabalho, que nunca será a da esquerda, mas poderá ganhar uma ou outra concessão.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.