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Futebol escravo do capitalismo

CBF e clubes querem manter Brasileirão, em busca das verbas de TV

Clubes são pressionados a manter Brasileirão com 38 rodadas apesar da falta de espaço no calendário e condições sanitárias.


Não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro, o esporte tornou-se um grande negócio. O futebol, um dos esportes com mais queridos pelo público, se não o mais querido, vive a reboque dos grandes conglomerados do entretenimento. Grandes empresas têm papel decisivo no formato de campeonatos, nas regras do jogo, nos contratos de patrocínio dos clubes, etc. Afinal, quem paga a banda, escolhe a música.

A Rede Globo de Televisão, principalmente, pressiona os clubes a manterem o Brasileirão com 38 rodadas, apesar disto ser quase inviável dada crise do Coronavírus. Os clubes, reféns de contratos recheados de cláusulas severas em caso de descumprimento e pouca proteção em situações excepcionais como a que vivemos, se vêem receosos em reduzir o tamanho ou modificar o formato do campeonato sob pena de terem suas receitas transformadas em farrapos.

É importante salientar que as raizes da crise no futebol são resultado da ação do capitalismo. Por causa das diferenças financeiras cada vez maiores entre os valores recebidos pelos clubes, tanto no nível nacional como internacional, estes são obrigados a contrair dívidas impagáveis para manterem-se competitivos. O maior endividamento dos clubes os torna verdadeiros escravos da Rede Globo e outras emissoras menos importantes. Sem esse “pacto com o diabo”, os clubes seriam insolventes ou não conseguiriam ser competitivos.

O poderio da Rede Globo tem como base seu completo domínio da mídia brasileira, em especial, a televisão aberta. Com isso, patrocinadores e fornecedores de materiais esportivos acabam pressionando os clubes para que fechem com a emissora do Rio de Janeiro a fim de que suas marcas sejam expostas na maior rede de televisão aberta do país.

A mesma coisa acontece no pago para ver (pay-per-view), onde a Globo é um monopólio e se utiliza disto para amordaçar os clubes.

Tem-se aí uma situação perversa para atletas e demais funcionários dos clubes. Estes serão coagidos pelos dirigentes e patrocinadores a exporem a si mesmos e seus familiares, por tabela, desnecessariamente ao Covid-19. Em um país que não tem testes e leitos o bastante, nem na rede pública nem na privada, é um total falta de humanidade condenar (mais) uma parcela da população ao suicídio.

A torcida também será penalizada, pois não poderá ir aos estádios apoiar seus clubes. Já não bastando às torcidas serem reprimidas pelas polícias militares, tribunais desportivos e ministério público, o torcedor também será impedido de ir ao estádio para evitar aglomerações. Isso terá um impacto negativo nas contas dos clubes, pois muitos dependem do dinheiro das bilheterias para terem capital de giro durante a temporada. Então, a falta desses recursos tornará o futebol ainda mais sujeito à vontade da Rede Globo e suas afiliadas.

Portanto, o futebol brasileiro, assim como os demais esportes, encontra-se em uma situação de crise que comprometerá seu futuro breve, ficando ainda mais a mercê da burguesia e vendendo nossos talentos a preço de banana para ligas estrangeiras.

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