O governador de Santa Catarina, comandante Moisés (PSL), até dia desses havia imposto uma verdadeira ditadura contra o povo catarinense, com aumento da PM pelas ruas, fechamento de rodoviárias, fechamento de abrigos para moradores de rua, paralisação dos transportes públicos e impedimento de reuniões de qualquer natureza, inclusive política. Todas as medidas adotadas em nome do combate à pandemia.
Não foi vista nenhuma ação efetiva, como ampliação de leitos, distribuição de equipamentos de proteção ou fabricação/compra de testes massivos para a população. Naquele momento, o que se via eram trabalhadores de serviços essenciais circulando pelas ruas cheias de policiais e desempregados e trabalhadores pobres vivendo na marginalidade com medo de sair às ruas.
Na quarta-feita (22), passou a valer novo decreto estadual, tratando do que a burguesia chama de “flexibilização” do isolamento. Estão autorizados a funcionar no estado de Santa Catarina shoppings, centros comerciais, restaurantes, templos religiosos e academias. Também serão permitidos os exercícios ao ar livre em praças, parques e praias.
Ao permitir o funcionamento de várias empresas, o governador pediu ajuda à população para que cumpram com as regras de distanciamento e uso de máscara. Em entrevista coletiva, na última segunda-feira (20), ele falou: “Isso só vai funcionar se você nos ajudar.” Deixando claro que as regras podem voltar ao que era antes, caso a população não colaborasse.
Os shoppings, por exemplo, terão, que regular a quantidade de pessoas que entram nos estabelecimentos. Eles mesmos terão que usar alcool gel e cumprir regras como não poder provar roupas e bijuterias e distanciamento de 1,5m. Como não há, de fato, condições para o governo de Santa Catarina fiscalizar os estabelecimentos comerciais, na prática, qualquer comerciante poderá descumprir as regras estabelecidas. Ou seja, a população está entregue à sua própria sorte.
Então, já que a situação da pandemia só piorou, por quê abrir lojas, restaurantes, academias e igrejas? A resposta é óbvia: a preocupação da burguesia é com seus lucros, o resto é detalhe para eles. No sistema político burguês, o político “eleito” é, na verdade, o político preparado para atender aos interesses dos capitalistas. É aquele que recebe mais dinheiro para a compra de votos e campanhas mentirosas. E esse político atende aos interesses de quem pagou para tê-lo ali.
Assim, o governador que impôs uma verdadeira ditadura, agora reabre o comércio dizendo que pode voltar atrás caso não dê certo. Por “caso não dê certo”, entenda-se: “caso morram pessoas a ponto da situação explodir e não tiver outra coisa a ser feita a não ser retornar o isolamento”. E as autoridades do regime burguês seguem tratando a população trabalhadora como quem testa suas opções em um jogo de video game sem maiores consequências.
É preciso que os sindicatos fiquem abertos, dada a luta ferrenha pela sobrevivência que está posta aos trabalhadores, contra os governadores genocidas e o presidente fascista, capacho do imperialismo. O “Fora, Bolsonaro!” deve se dar concretamente, por meio de mobilizações populares, de modo a organizar essa luta. Fora Bolsonaro! Fora todos os golpistas! Eleições gerais, já!





