Como conter a crise:

Brasil é um dos países que mais gasta com militares

É preciso compreender toda essa situação do ponto de vista econômico e político. Afinal, os gastos com os militares aumentam na medida em que aumenta a polarização política

O Brasil é um dos países do mundo que mais dá dinheiro para seu aparato de repressão e isso não é coincidência. O país vive uma situação explosiva, que o governo procura a todo custo ocultar. Os gastos com os militares aumentam na medida em que aumenta a polarização política.

Os números foram divulgados por um estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI) ligada ao Senado Federal que revelou que os gastos proporcionais com salários e pensões de militares no país só perdem para os da Grécia e Croácia.

Como na reforma da Previdência, o círculo militar foi poupado de qualquer redução nos ganhos e benefícios o que aumentou o pagamento dos militares com reajustes nos chamados “penduricalhos”. Na atual reforma administrativa eles também ficaram de fora, assim como os parlamentares e o poder judiciário. Ou seja, os que mais custam aos cofres públicos. Os verdadeiros parasitas do Estado.

Os custos com os militares em missões no exterior representaram 74,3% de todos os gastos do Ministério da Defesa no ano passado e em 2018, foram 76,7%. O Brasil, no entanto, não possui nenhum inimigo estrangeiro desde a Guerra do Paraguai há 150 anos.

Um novo inimigo no front:

Após registrar uma queda de 9,7% do PIB (Produto Interno Bruto) no segundo trimestre de 2020, a maior registrada em toda sua história, o Brasil entrou oficialmente em recessão.

A população ocupada – compreendida entre empregados, empregadores, trabalhadores por conta própria e servidores – que era de 85,9 milhões no 1º trimestre, até maio, já havia sofrido uma queda de 8,3% em comparação com os três meses anteriores.

Nunca antes na história desse país somente menos da metade da população brasileira adulta e em idade de trabalhar esteve empregada! Quase 60% da força de trabalho do país estão sem trabalho!

Os trabalhadores se veem confrontados por uma inflação oficial que não condiz com a realidade. O aumento dos preços, em 12 meses, chegou a 12,15% em São Paulo, 14,61% no Rio de Janeiro, 19,18% em Belo Horizonte, 20,97% em Goiânia e 21,44% em Recife (DIEESE).

O trabalhador que recebe 1 salário mínimo compromete, em média, 48,85% da sua receita líquida para comprar os alimentos básicos. Ou seja, o trabalhador, que ganha um salário mínimo (R$1.045,00) está gastando, na prática, 68% da sua renda com alimentação! Em MG e PE o comprometimento da renda com alimentação ultrapassa os 70%!

O governo já anunciou que o valor do salário mínimo para 2021 será abaixo da inflação e, portanto sem aumento real pelo segundo ano consecutivo.

A crise no país, portanto, é muito grande. Já são mais de 120 mil mortos pela pandemia. Tem gente sendo enterrada em valas comuns abertas por retroescavadeiras!

É preciso, por fim, compreender toda essa situação do ponto de vista econômico (desemprego, queda do PIB, do poder de compra, aumento de preços e inflação) e político (aumento da repressão estatal e das organizações de tipo fascista).

Assim, os gastos militares em ascensão se justificam na visão do governo como estratégia central para conter uma revolta popular iminente, tendo em vista garantir que diante de uma situação de conflito entre as classes sociais os capangas naturais da burguesia não hesitem em reprimir a população pobre desesperada pela sua sobrevivência.

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