Os ataques continuam

Bolsonaro veta benefício a incapacitados por COVID-19

Bolsonaro veta projeto de lei apresentado que previa uma compensação financeira para os trabalhadores de saúde que ficassem incapacitados devido a seu trabalho na pandemia.

O governo de Jair Bolsonaro continua seus ataques aos trabalhadores dia após dia, desta vez as vítimas foram os trabalhadores da área da saúde que estão lidando diretamente com a pandemia tentando salvar a vida de outros trabalhadores mesmo em meio ao descaso do Estado. O presidente vetou um projeto de lei apresentado que previa uma compensação financeira no valor de R$50 mil para os profissionais da saúde que ficassem permanentemente incapacitados para o trabalho devido ao contato direto com pacientes com o coronavírus. O valor seria pago pela União.

O texto garantia aos profissionais de saúde, incluindo também os agentes comunitários, a compensação caso o mesmo ficasse incapacitado permanentemente em razão do seu trabalho durante o combate à pandemia, e também era estendido aos cônjuges e herdeiros diretos de profissionais que viessem à óbito decorrente da doença e tivesse atuado diretamente no tratamento e visitas aos pacientes.

Mais uma vez o governo aparece com as mesmas desculpas para vetar direitos aos trabalhadores alegando “insegurança jurídica”, no projeto de lei em questão a presidência afirmou que o projeto seria uma despesa em período de calamidade, o que seria ilegal, mas a despesa em questão é decorrente justamente do período de calamidade pública, que só se deu decorrente da pandemia. O governo de Bolsonaro sempre coloca obstáculos para barrar e deixar de oferecer o mínimo aos trabalhadores, nos últimos dias o governo também vetou outro projeto de lei importante para os trabalhadores, que visava a maior facilidade de acesso ao Auxílio Emergencial em cota dupla para mães e pais solteiros, alegando novamente a insegurança jurídica. A insegurança jurídica e os problemas com “despesas” só aparecem nas pautas presidenciais quando se trata de benefícios e assistência mínima aos trabalhadores, esse discurso simplesmente desaparece quando o governo trata da entrega de trilhões de reais aos bancos e grandes capitalistas. Quando se trata dos trabalhadores tudo é despesa, mas quando o dinheiro é direcionado à burguesia vira investimento. Investimento no quê? Investimento pra quem?

A cada dia fica mais claro que a política de Bolsonaro e suas decisões são única e exclusivamente direcionadas a uma só classe, e não estamos falando dos trabalhadores, e com a intensificação da crise os ataques à classe trabalhadora em benefício da burguesia são ainda maiores. Enquanto profissionais da saúde, trabalhadores informais, mães e pais chefes de família tem o mínimo negado, o sistema financeiro continua recebendo “socorro” com o dinheiro dos trabalhadores, e isso deve piorar com as consequências mais drásticas da crise. Os trabalhadores não devem pagar por uma crise que não criaram e devem se organizar para exigir do Estado aquilo que é seu por direito, aquilo que é necessário para garantir que possam superar a crise e sobreviverem a isso, e essas condições só serão possíveis com a derrubada do governo golpista.

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