O IBGE divulgou na última terça-feira (1) o balanço atualizado da crise no País, com queda de 9,7% no desempenho do PIB para o segundo trimestre de 2020 em relação ao primeiro trimestre do ano e 11,4% em comparação ao mesmo período de 2019. Além disto, o órgão de pesquisas e estatísticas oficiais do governo federal revisou a queda no PIB para o primeiro trimestre de 2020 em relação ao quarto de 2019, em 2,5%, o que coloca o Brasil oficialmente em recessão, segundo os critérios técnicos para a classificação. O IBGE ainda ainda que para o semestre, o setor agropecuário é o único que registrou crescimento no período, de 1,6%. Enquanto isso, o setor industrial e serviços apresentaram variação em seu nível de -6,5% e -5,9% respectivamente.
Todo um leque de explicações apareceram na imprensa capitalista para justificar o injustificável, sendo a pandemia (por razões óbvias) o mais recorrente porém os números não deixam margem para retóricas. A crise da economia brasileira é anterior à chegada da pandemia, que atuou como um impulsionador de uma retração econômica que já se verificava. O desempenho da economia no primeiro trimestre chama atenção por que o período, tradicionalmente marca a alta da atividade econômica, impulsionado pelo turismo e também pelo Carnaval (ver o gráfico abaixo), de modo que se no momento historicamente bom o desempenho foi tão expressivamente ruim, não há dúvidas quanto ao problema estrutural, por mais que a propaganda governista se esforce para apresentar a situação como pontual.

Outro aspecto a ser considerado é que tampouco o fechamento da economia foi verificado. Salvo os negócios menos robustos, grandes cadeias do comércio varejista, indústrias e uma parte expressiva da economia continuou funcionando normalmente, de uma maneira até criminosa. Fora as camadas médias, o isolamento social em nenhum momento atingiu as amplas massas, sobretudo na classe operária, que se viu trabalhando sob condições de insalubridade ainda maiores e ganhando menos.
A doença da economia brasileira é a mais escancarada espoliação da burguesia decadente, que esmaga os trabalhadores, sufoca o consumo (inclusive de insumos essenciais neste momento de pandemia) e tirou o crédito dos pequenos comerciantes (estes sim fecharam e estão falindo aos montes), atendendo os interesses imperialistas e os abutres da burguesia brasileira, aqueles que de fato mantém Bolsonaro no poder para que siga destruindo a economia nacional.



