Como frequentemente debatido neste Diário, o futebol é, sim, político. Tanto o futebol age sobre a cultura popular, quanto o próprio povo age sobre o futebol. As torcidas são, além de incentivadoras de seus clubes, espaço amplo para que a população externe seu pensamento.
A massiva audiência do futebol permite que a classe operária, a grande maioria dos fãs, seja ouvida e pressione governos e federações por mudanças, tanto no esporte, quanto na sociedade como um todo. Por isso, entidades capitalistas, como FIFA e COI (Comitê Olímpico Internacional), tentam coibir manifestações, especialmente as que vão abertamente contra os interesses da burguesia.
Separar o esporte da sociedade, como alienígena a esta, é negar o papel do esporte como transformador da sociedade, tornando-o mero produto comercial. A despolitização das arquibancadas é, assim como nos demais setores da sociedade, uma tentativa de aumentar o controle sobre as massas, criando melhores condições para suas decisões arbitrárias e para a exploração dos oprimidos.
Nos últimos anos, grupos anti-fascistas e pela luta das minorias vêm sendo proibidos de adentrar os estádios e demais espaços esportivos sob leis de natureza fascista como “proibir manifestação política e religiosa”. Os capitalistas, cada vez mais autoritários, beirando o fascismo explícito, querem o público simplesmente quieto, como robôs. Por isso, atacam constantemente torcidas organizadas, pintando-as como as causadoras dos problemas do futebol.
Sabe-se muito bem que o fim das torcidas organizadas e a gentrificação do futebol só interessa aos capitalistas e não ao povo. Há total hipocrisia da FIFA e da CBF com relação a essa despolitização forçada quando observa-se o papel lamentável do presidente ilegítimo Jair Bolsonaro durante o título brasileiro do Palmeiras em 2018. Para o fascista miliciano não aplicou-se a “regra”, mas para o povo, agressões e humilhação.
O ato ditatorial mais recente não se deu nos estádios, mas nas redes sociais. A torcida do Bahia Anti-fascista publicou, na sua conta no Instagram, uma imagem se posicionando contra o Bolsonaro ter utilizado camiseta do clube durante seu macabro passeio de jet-ski. Os bolsonaristas, como verdadeira tropa de choque fascista, denunciaram a publicação, fazendo que fosse retirada da rede social.
O fascismo está sempre preparado para calar sua oposição, seja quais forem os meios necessários. Com este intuito, utilizarão desde robôs atuantes em redes sociais até movimentos paramilitares para reprimir a esquerda.
Portanto, a esquerda não pode ficar calada, esperando a boa vontade da direita. Deve posicionar-se ativamente, denunciar essa situação e mobilizar a população a não aceitar o fascismo de Bolsonaro e da burguesia.





