Uma das consequências imediatas da pandemia do novo coronavírus é a diminuição no ritmo da atividade econômica, reflexo do isolamento social, medida necessária para o combate à pandemia, que levou ao fechamento de vários estabelecimentos comerciais. Com a atividade comercial paralisada, os capitalistas, não querendo arcar com o ônus da crise, aceitaram o fechamento do comércio mas, em contrapartida, demitiram uma imensa quantidade de trabalhadores ou reduziram o salário dos mesmos.
Num cenário onde as condições de vida e trabalho do proletariado brasileiro já eram péssimas, com a pandemia se tornaram ainda piores: quem estava empregado trabalhando em más condições e ganhando um salário que não supre as necessidades básicas (alimentação, água, luz, telefone, aluguel..), agora ficou sem emprego ou o manteve porém com salário diminuído. Resumidamente, a pandemia catalisou uma crise socioeconômica já vigente. A convulsão social que isto poderia acarretar seria enormemente prejudicial para a classe burguesa, que precisou adotar medidas para conter a chegada da mesma. A principal medida adotada foi a criação do auxílio emergencial pelo governo Bolsonaro.
Inicialmente prevista com valor de míseros 300 reais, Bolsonaro se viu forçado pela burguesia a subir um pouco este valor. “Bondosa” como é, a direita considerou melhor aumentar o auxílio para 600 reais. Apesar do valor ainda ser baixíssimo, levando em conta as necessidades dos trabalhadores e a montanha de dinheiro que Bolsonaro distribuiu para os grandes capitalistas, a renda extra se mostra essencial para amenizar a crise e fazer a economia voltar a se movimentar, embora a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) tenha sido das piores. O Planalto previu uma queda de 4,7% no somatório das riquezas do Brasil, enquanto que o FMI (Fundo Monetário Internacional) já é mais negativo, prevê uma baixa de 9,1%. A atividade industrial, por sua vez, subiu em 8,9% no mês de junho, em comparação a maio, segundo o IBGE. Tal subida é, todavia, insuficiente para cobrir a perda 26,6% nos dois primeiros meses da pandemia. Ainda que exista algum avanço na economia, a expectativa dos especialistas e do mercado financeiro permanecem negativas. Para estes, a perspectiva positiva com relação a determinados setores da economia se deu em razão do apoio financeiro concedido pelo governo às empresas e ao auxílio emergencial distribuído para a população. Tal fato faz a direita ter cautela com relação à quando e como pôr fim a este programa de transferência de renda pros trabalhadores, sem trazer risco de uma revolta popular e desacelerar mais a economia.
Em se tratando dos reflexos políticos do auxílio emergencial, Bolsonaro, que sempre foi contra este benefício e já havia planejado sua redução e extinção, agora vê ele como importante para sua sobrevivência política no Planalto. O presidente da república, que junto à direita de conjunto sempre se opôs aos programas assistencialistas dos governos Lula e Dilma Rousseff, vindo com o discurso demagógico de que o bolsa família era compra de voto à favor dos petistas, agora contraditoriamente vê no auxílio-emergencial uma forma de manter e subir seu índice de popularidade para com a população, somando às negociações com o Centrão para que seu impeachment seja barrado.



