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Mas, e o "futebol arte"?

Antes de sua reforma, Pacaembu privatizado recebe exposição

A "ocupação artística" no Pacaembu é, na verdade, uma grande invasão da burguesia, inimiga da história e da cultura nacional do futebol  


Antes de começar a desmontar um patrimônio histórico e cultural da história do futebol brasileiro que é o Estádio do Pacaembu, o governo de São Paulo, PSDB, em associação com a Concessionária Allegre Pacaembu uma exposição artística no estádio. Anunciada como “ocupação artística”, e intitulado “Arte em campo”, a exposição procura trazer esculturas e algumas instalações de diversos artistas sobre o futebol e sobre o que representará o lugar no futuro.

Em parceria com 25 galerias e 54 artistas, que não têm muito a ver com o futebol, a exposição pretende receber cerca de 300 pessoas por dia, entre os dias 10 e 17 de dezembro, o que seria a última chance de ver o monumento do futebol brasileiro que é o Pacaembu.

O projeto de modernização do Pacaembu, como dizem os capitalistas, pretende unir “os pilares de cultura, lazer e esporte que faziam parte do conceito original do complexo. Queremos expandir a oferta para a população e ampliar a utilização do estádio”, segundo Eduardo Barella, um dos empresários interessados na modificação do estádio.

A área do tobogã, por exemplo, será demolida para a construção de um centro de convivência e de eventos. A arquibancada lateral, será demolida para a construção de uma arena de e-sports, com capacidade para 2 mil pessoas. Mas, o que seria e-sports?

E-sports é uma nova modalidade de esporte surgida no século XXI, baseada em jogos online, jogados através do computador. Os jogos são protagonizados por “atletas” sentados, mexendo seus mouses e apertando os botões, controlando seus bonecos, disputando com outro jogador ou equipe. Esse novo “esporte” recebeu financiamentos milionários dos capitalistas e atraem um público jovem, entre filhos da classe média e dos grandes capitalistas.

Pois bem, a “modernização” do Pacaembu é, na verdade, a venda de um patrimônio histórico e cultural do País para grandes empresários usarem em nome do lucro. A modernização não passa, apenas, de uma destruição da cultura nacional pelos capitalistas, financiada pela classe média podre do bairro nobre. Tudo isso fica muito claro desde o início, quando a exposição de artes é um evento que não rememora os momentos mais gloriosos da história daquele lugar, que perpassam pelo “futebol arte”, e não pela “arte em campo”. O Pacaembu, ou, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, é uma verdadeira casa do povo, das torcidas organizadas, as verdadeiras donas da festa e do espírito alegre do futebol brasileiro.

A “ocupação artística” no Pacaembu é, na verdade, uma grande invasão da burguesia, inimiga da história e da cultura nacional do futebol.


COTV

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