Os torcedores alemães partiram para cima das burocracias que dirigem a Federação Alemã de Futebol (DFB), controlada pelos grandes capitalistas. O motivo foi a sanção da DFB, em novembro de 2018, que proibiu todos os torcedores do Borussia Dortmund de irem ao Estádio do Hoffenheim por conta de uma faixa exibida pela torcida do Borussia em que exibia os dizeres: “Dietmar Hopp filho da …”, desde então, não só a torcida do Borussia, como diversas outras torcidas saíram em solidariedade: De Wuppertal, Gelsenkirchen, Munique, Berlim e a mais significativa manifestação foi da torcida do Mönchengladbach em 22 de fevereiro, em relação à retaliação da DFB aos torcedores do Dortmund, quando abriram uma faixa onde dizia: “Filhos da … insultam um filho da … e acaba sendo punidos por filhos da …”
A determinação da Federação Alemã é de interromper as partidas que vierem a exibir tais faixas. No último final de semana os árbitros, orientados pela federação, interromperam diversas partidas, Hoffenheim x Bayern; Dortmund x Freiburg; União de Berlim x Wolfsbur da primeira divisão. Na terceira divisão o árbitro interrompeu a partida Meppen x Duisbur por conta de uma faixa onde se lia: “se Dietmar tem dinheiro suficiente, os mentirosos da federação expulsam as pessoas para manter seu bem-estar”.
As manifestações dos torcedores vão muito mais além da política dos capitalistas do futebol em cercear a liberdade de expressão nos estádios de futebol que, logicamente, é parte da política dos grandes capitalistas que visam apenas fins lucrativos e oprimindo o proletariado num esporte por excelência da classe operária.
O insulto a Dietmar Hopp, dono de uma das maiores fortunas da Alemanha, presidente da multinacional de tecnologia SAP, a principal fornecedora de tecnologia e patrocínios do futebol alemão, feita pelos torcedores das diversas torcidas não é por acaso.
Para os Ultras (Membros de Torcidas Organizadas) da Bundesliga “com sanções coletivas para proteger um milionário, a DFB mostra sua verdadeira face. Não se trata nem mais nem menos que um ataque à nossa cultura e valores” . A figura de Hoop está diretamente vinculada a tentativa dos capitalistas em transformar o esporte, de maior popularidade do planeta, em mais uma atividade de interesses capitalista.
Em 2015 a Federação abriu uma exceção à regra 50+1, que permitiu que Hopp comprasse 96% das ações do Hoffenheim. A medida representou a quebra do caráter comunitário dos clubes, que garante a propriedade da maioria dos associados, e agora o Hoffenheim passa a fazer parte o seleto clube dos magnatas, se juntado ao Leipzig (Red Bull), Wlfsburg (Volkswagen) e Leverkusen (Bayer), os três clubes de propriedade de empresários. Não é por um acaso que o presidente do Bayern, Karl-Heiz Rummenigge, é defensor de expulsar os torcedores dos estádios.
Há por parte de todas as torcidas organizada na Alemanha uma tendência de partir para cima da ofensiva dos capitalistas em transformar o futebol em mais um empreendimento e restabelecer o que realmente representa o maior evento esportivo do planeta, um futebol democrático, de base, do povo, que não fique refém daqueles que defendem interesses de um grupo de parasitas capitalistas que vivem às custas de explorar o povo.




