Fascismo e futebol

A quem interessa o silêncio sobre o fim das organizadas em Pernambuco?

As consequências são muitas. Uniformizadas terão CNPJs cassados e não poderão ter atividades comerciais. As perdas econômicas são imediatas e permanentes.

O futebol, ao contrário do que muita gente pensa não é um mundo à parte, não é uma espécie de “Brasil paralelo”. O futebol é gerado como parte indissociável dos desdobramentos da vida política e econômica do Brasil. Assim, sob o fascismo, podemos ver o futebol ser reprimido e sufocado.

Veja o caso da Justiça que determinou extinção das três principais torcidas organizadas de Pernambuco. Isso mesmo o Juiz Augusto Sampaio Argelim determinou a extinção imediata da Torcida Jovem do Sport, Fanáutico e Inferno Coral, do Santa Cruz.

As consequências são muitas. Uniformizadas terão CNPJs cassados e não poderão ter atividades comerciais. As perdas econômicas são imediatas e permanentes.

Nota-se que a repressão veio num crescente. Com as decisões, as três torcidas, que já estavam impedidas de frequentarem os estádios, agora também terão encerrados os seus Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica (CNPJ), ficando assim impossibilitados de exercerem quaisquer atividades comerciais. Elas também terão suas contas bancárias bloqueadas e as sedes fechadas.

Necessário também dizer que ao mesmo tempo em que são extintas as organizadas, a PM no carnaval proibiu as bandas de tocarem Chico Science. Ainda, a extrema-direita está avançando e a esquerda não denuncia. Não há nada, absolutamente nada nas páginas da esquerda, nem nenhum parlamentar. Aliás, um vereador do PSOL chegou a defender o fim das organizadas, conforme citado na coluna de V. Assis.

O fascismo não gosta do povo, do povo reunido, da alegria do povo. O futebol é o maior fenômeno social do Brasil. Representa a identidade nacional e também consegue dar significado aos desejos de potência da maioria absoluta dos brasileiros. Ocorre, que as torcidas começaram a vaiar Bolsonaro nos estádios e a manifestação política legítima das torcidas teve imediata repercussão no Mundo inteiro que assiste o futebol brasileiro.

A coisa vem de longe. A PGE havia solicitado o julgamento “imediato e simultâneo” de duas ações movidas pelo Ministério Público que solicitavam a extinção desses grupos. A primeira ação civil pedindo o fim das três organizadas datava de 2012, enquanto a segunda era de 2014.

O futebol apareceu primeiro como atividade da elite, importado e jogado por estrangeiros aristocráticos ou ligados aos investidores europeus que exploraram as oportunidades abertas pelo desenvolvimento do país no final do século XIX. Hoje é de negros e operários que, naquele tempo, só teriam vez ou nos campos de várzea ou quando passaram a ser decisivos para que os times de brancos ricos ganhassem títulos.

Os muros erguidos em torno do futebol não resistiram à formação das metrópoles brasileiras. Foram demolidos pela massa de trabalhadores que encontrou nesse esporte a essência democrática que lhe era negada em todas as outras áreas. Hoje o fascismo quer afastar o povo do futebol. Quer, outra vez, fazer dessa paixão, uma coisa reservada a uma elite.

Logo agora que o futebol deixou de ser dândi e blasé. Logo agora que com a massificação, o futebol passou a ter também importância política. Logo agora que sua capacidade de mobilização se impôs como elemento muitas vezes decisivo para definir o humor de um eleitorado crescentemente menos controlável. O fascismo reaparece e quer controlar as massas em sua explosão de alegria e expressão política. Justo agora com a aparecimento das torcidas antifascistas e seu grito uníssono: Fora Bolsonaro!!

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