A política de correr para dentro de casa e se trancar à sete chaves, colocar um filme para passar, estourar pipocas e esperar tudo passar enquanto o coronavírus só se espalha lá fora, vai levar a população mais pobre do país à morte. É a conclusão que podemos tirar após a maioria esmagadora da esquerda, que já vinha esperando sentada dentro de casa muito antes do coronavírus, se recusar a lutar contra o governo Bolsonaro durante o período que pode ser o mais crítico para o Brasil em toda sua história.
Em reportagem ao jornal burguês e golpista O Globo -veja que não se trata de nenhum jornal de esquerda, muito menos de um jornal revolucionário – o médico Miguel Srougi, que também é professor da USP, garante que a população mais pobre irá “morrer na calçada” enquanto espera por atendimento médico durante o período do coronavírus.
Segundo o médico, a medida de se fazer lock down, ou seja, a medida de se fazer quarentena em casa, é apenas algo que ganha tempo para que se tomem providências no sistema de saúde do país, o que não vem acontecendo, já que temos um presidente fascista no poder, com o claro intuito de fazer a população morrer -vide a tentativa de fazer os trabalhadores deixarem de receber seu salário por 4 meses (!) durante a crise. Após cerca de 100 casos, a medida se torna praticamente inútil, tendo uma curva cada vez mais acendente de contaminação.
Para o professor da USP, o governo deveria ter tomado providências muito antes do contágio em nosso país, durante o período em que o vírus se espalhava pela China e pela Itália. Essas medidas deveriam estar relacionadas ao controle de fábricas para a construção de mais equipamentos, como respiradouros, que existem em um número reduzido no Brasil, mas são a única chance de sobrevivência para quem chega nos estágios mais avançados da doença COVID-19, causada pelo novo coronavírus.
Miguel Srougi também destaca o fato de que, quanto mais leitos de hospitais por uma quantidade de mil habitantes, menores as taxas de mortalidade para a doença. Em Hong Kong há 14 leitos para cada mil habitantes, no Japão 10. Miguel diz que as mortes nesses países não passam de 0,3%. Enquanto isso, na Itália, país dos mais atingidos pela crise, existem apenas 3,2 leitos para cada 1000 habitantes. No Brasil, o número é assombroso: 1,95 leitos para cada mil habitantes.
É necessário, portanto, uma grande mobilização para que se exija as condições mínimas de saúde no país, com o controle do governo sobre a industria e os hospitais, de maneira que seja possível fabricar todo o necessário para salvar as vidas das pessoas, assim como atender a toda a população. Também é necessária a criação de leitos hospitalares, sejam eles em estádios ou em outros lugares onde seja possível sua criação. Também é necessário paralisar tudo o que não seja de extrema importância nesse momento, para diminuir o número de pessoas utilizando transporte publico, bem como aumentar a frota de ônibus, já que com sua diminuição, mais lotados ficam os transportes, assim como é necessária a retirada imediata do governo fascista de Jair Bolsonaro, que só está interessado em fazer o imperialismo lucrar ainda mais em cima de nosso país, sem se importar com o provável genocídio que acontecerá no Brasil.
Ficar em casa é um privilégio da burguesia e de setores da classe média brasileira, que não tem de pegar ônibus ou metro todos os dias e pode tirar alguns dias de folga. Para a classe trabalhadora, para os presos nos campos de concentração conhecidos no Brasil como “sistema penitenciário”, para quem mora na rua e para todos os outros setores que não tem essa opção é necessário todo um programa para enfrentar essa crise, que só é possível de ter suas reivindicações alcançadas caso lutemos por elas, nas ruas.




