A cerca de um ano da eleição que definirá o próximo presidente dos EUA, Donald Trump, com real chance de vitória, se torna alvo de processo de impeachment pelo Congresso. O motivo: uma denúncia anônima, de dentro da Casa Branca, de que Trump pedia apoio ao presidente Ucraniano, Volodymyr Zelenski, para investigar o democrata Joe Biden – seu concorrente do Partido Democrata.
O governo ucraniano é importante aliado de Trump e, como Biden tem negócios em Kiev, a procura de fatos ou factoides que pudessem comprometer a imagem do rival poderia dar a Trump vantagem na corrida eleitoral. Na época em que Biden era vice-presidente de Obama, levantaram-se suspeitas de que ele teria parado investigações a respeito de negócios de seu filho na capital ucraniana. Trump comprometeu-se a enviar seu advogado pessoal (ex-prefeito de Nova Iorque) Rudolph Giuliani, e o Secretário de Justiça Wiliam Barr para “ajudar nas investigações.”
Há muitos interesses em jogo, muitas dúvidas e poucas certezas a respeito deste acontecimento. Em primeiro lugar, as conversas telefônicas do chefe de Estado norte-americano são confidenciais e presenciadas por um grupo restrito de funcionários. Não que a burguesia se constranja de grampear as conversas, mas esta revelação seria confessar incorrer em crime contra a segurança nacional. Portanto, tudo o que se tem agora é o rumor da imprensa sobre “fontes e denúncias anônimas”, mas que já foram suficientes para abrir um processo de impeachment.
É difícil saber a quem realmente interessa todo este conflito. À primeira vista, um impeachment parece favorável à campanha dos Democratas. Entretanto, o desenrolar do processo também deixará na pauta do dia uma questão gravíssima, de se Biden usou o cargo de vice-presidente para interesses privados. Talvez haja terceiros interesses envolvidos, inclusive dentro Congresso, já que o caso pode se desenrolar contra os dois pré-candidatos.
É necessário acompanhar este caso. Talvez o menos relevante aí seja o mérito das acusações. A burguesia nunca se furtou de forjar escândalos e pretextos para levar adiante seus interesses históricos. Mas é preciso compreender como a abertura de impeachment é mais um indício dos sérios conflitos entre os diferentes setores da burguesia norte-americana, que revelam a crise por que passa o capitalismo no país mais poderoso do Mundo.
De 1868 a 1974 os Congresso dos EUA não levantou processos de impeachment contra seus presidentes, um indicativo importante da estabilidade do regime, justamente no período de auge do poder deste país. A partir de então, as tentativas de impeachment passaram a ser mais comuns, tanto contra republicanos como democratas, sinal de uma crescente instabilidade política no país.




