Rui Costa Pimenta: “não houve luta”

A Análise Política da Semana é um programa do PCO, apresentado pelo Presidente do partido, Rui Costa Pimenta, e que vai ao ar todos os sábados, às 11:30 da amanhã. A seguir, segue um trecho que foi ao ar no último dia 7.

“Nessa semana o deputado do PSOL Marcelo Freixo, do Rio de Janeiro, ele havia falado antes, o que acontece no Brasil não é mais uma luta entre a esquerda e a direita. São artistas embustidos, se diz de esquerda mas no fundo não quer ser de esquerda de jeito nenhum, aí eles falam que não tem esquerda e direita mais, esses termos, não tem validade. Quando uma pessoa fala isso, já se pode ver que essa pessoa é de direita, conservadora, que não quer ser de esquerda, foi obrigado a se apresentar como de esquerda, mas preferiria estar lá com o chamado centro, ou seja, a direita.

Então, ele diz que a luta agora é entre a civilização e a barbárie, a gente já ouviu essa balela na eleição, o candidato Fernando Haddad, essas pessoas que fizeram a campanha dele, procuraram aterrorizar toda a população falando tem que votar no Fernando Haddad se não viria a barbárie. Aí chega a barbárie e ninguém quer derrubar a barbárie.

O Fernando Haddad desejou boa sorte a barbárie, que ele terminasse o governo, que não podemos derrubar a barbárie, nós temos que conviver com a barbárie, que nós temos que fazer uma resistência civilizada contra a barbárie, essa coisa toda.

Não tem nada disso, até podemos entender que a luta entre a esquerda e a direita, ou seja, mais precisamente, entre as classes trabalhadores e as classes populares e a burguesia, os privilegiados, entre os explorados e os exploradores, entre os privilegiados e os desprivilegiados, entre os oprimidos e os opressores, é uma luta entre a civilização e a barbárie, agora invocar a luta entre a civilização e a barbárie para se aliar a figuras grotescas, grotescamente direitista, como são os políticos do PSDB de grife e PSDB fajutos, tipos PSD, PDT, Ciro Gomes, simplesmente uma tentativa de jogar areia nos olhos da população, é um golpe.

Mas, a importância desse raciocínio, nós devemos ter muito presente. O balanço que todos os setores vão querer tirar dessa derrota, que é uma derrota provocada por uma completa falta de luta contra o Bolsonaro, contra a direita, contra a burguesia ou pela completa falta de mobilização popular, a conclusão que eles vão tirar é a seguinte: é que você precisa lutar menos ainda e de que você precisa ir mais para direita, porque esse é o caminho da vitória. Quando na realidade, é preciso que se diga aqui e agora, com toda clareza, que a questão da Previdência foi uma derrota por falta de mobilização, com a ilusão absurda de formar uma frente única com os setores direitistas, dentro do Congresso Nacional, da frente ampla, da política da resistência, a política que não vamos derrubar o Bolsonaro, não vamos mobilizar o povo, porque não houve quase mobilização contra a Previdência, toda “a luta” foi feita dentro do Congresso Nacional.

Agora, eles provocaram uma derrota, que eles querem transformar num importante argumento para aprofundar a política que levou a derrota. Essa política criou a derrota, agora a derrota é explicada pela política oposta, não adianta lutar. Porque não adianta lutar? Não houve luta, aqui. Como você sabe que não adianta lutar, se não ouve uma tentativa de mobilização? Não adianta lutar, porque a gente lutou e fracassou, o que é uma mentira, porque ninguém lutou nada, e como a gente lutou e fracassou, nós temos que ir mais para direita, nós temos que nos aproximar ainda mais do PSDB, nos temos que fazer uma aliança ainda mais direitista para colocar o Bolsonaro na linha, ou seja, para ajudar os grandes Capitalistas e banqueiros, a transformar o Bolsonaro num líder do PSDB, é isso que eles estão pregando.

Por isso, que o balanço é muito importante, e esse balanço tem que ser feito em todos os lugares porque é preciso deixar claro, esclarecer as pessoas que são ativas no movimento operário popular, o que realmente aconteceu e quais as conclusões a serem tiradas. O que aconteceu é que não ouve luta, o que aconteceu é que toda chamada “luta” ficou circunscrita no congresso Nacional. Dentro do Congresso Nacional não há luta nenhum, porque a luta de classe não é uma luta entre deputados de direitas e deputados de esquerda se é que houve uma luta lá, na minha opinião é uma minoria de pessoas inclusive do PT que estavam contra a reforma da Previdência de fato, se pegar os deputados que estavam contra a reforma da Previdência, eles são bem menores do que aqueles que votaram contra a reforma da Previdência, alguns votaram simplesmente porque ia dar problema”.

Veja mais, no link abaixo:

 

 

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