A prefeita de Paris, Anne Hidalgo (PS), quer que o governo do presidente coxinha Emmanuel Macron “aumente o número de policiais” na capital francesa.
A desculpa é a elevação dos crimes de delinquência. Conforme dados da prefeitura, houve o aumento, desde o início do ano, dos furtos de carteira no metrô (+68%), das agressões sexuais em novembro de 2018 (+71%), dos ataques voluntários (+13,5%), da violência contra as mulheres (+8%), da violência dentro da família (+18%) e dos assaltos em 19 dos 20 distritos de Paris entre 2017 e 2018 (+16%).
“Devemos colocar a polícia em nossos bairros”, defendeu a política do Partido Socialista em conferência na Câmara Municipal de Paris na semana passada. “Não se pode ser eficaz se a parte relacionada à luta contra a delinquência, tráfico de drogas e violência for menos garantida pela polícia nacional”, completou.
Um dos motivos que pode estar por trás desse posicionamento, no entanto, não tem nada a ver com o suposto aumento da criminalidade. Seria, na realidade, uma tentativa de conter o movimento dos coletes amarelos, que tomam conta das ruas de Paris desde o final do ano passado. “Entendemos que as manifestações dos ‘coletes amarelos’ tenham retirado a polícia de nossos bairros”, disse Hidalgo, citando particularmente os bairros operários da capital.
Mas a quem interessa a polícia, ainda mais nos bairros populares? A polícia, assim como o exército, é o braço armado do Estado, principal órgão de repressão da burguesia contra o povo. Ela serve, na verdade, para oprimir os coletes amarelos, com centenas de detenções durante as dezenas de semanas seguidas de protestos. Serve para esmagar qualquer direito da classe trabalhadora, como sua organização independente como classe.
Assim, o PS, partido tradicional da esquerda burguesa francesa, mostra novamente o que se tornou sua política: basicamente, um “puxadinho” da direita. Obviamente, continua representando a ala esquerda da burguesia, com sua base operária, mas a política social-democrata dá cada vez mais lugar a uma política de total capitulação para a direita.
Foi assim durante o governo do presidente François Hollande, quando a França invadiu o Mali, bombardeou a Líbia junto com a OTAN e implementou uma reforma trabalhista que causou grande revolta em sua base social, levando a enormes protestos e a uma greve geral, em 2016. Isso causou uma certa fragmentação de sua base e levou ao fortalecimento da extrema-direita e a seu completo enfraquecimento.
Nas eleições presidenciais seguintes, o partido apoiou Macron contra Marine Le Pen para supostamente “derrotar o fascismo”. Pois bem, aí está Macron, destruindo todos os direitos do proletariado francês, o que gerou justamente o movimento dos coletes amarelos, principal sintoma da crise do regime político naquele país.
Agora, nas recentes eleições para o Parlamento Europeu, o PS teve um desempenho vexatório, ridículo, pífio. Ficou atrás, em número de votos, de Macron, de Le Pen, dos falidos Republicanos, dos Verdes e até mesmo do agrupamento menor de esquerda, a França Insubmissa de Jean-Luc Mélenchon. Isso ocorreu graças a esse tipo de política adotada por Hidalgo, contra sua própria base social.
Então, a prefeita “socialista” propõe mais polícia na rua para solucionar problemas sociais! Esse equívoco imperdoável é no que mais cai a esquerda pequeno-burguesa no Brasil, acreditando que as instituições de repressão da burguesia (como a polícia e o judiciário) resolverão os problemas sociais em favor dos oprimidos. Ou seja, acredita que adotando a política da extrema-direita atenderá a algumas necessidades do povo e contentará sua base social trabalhadora.
Pelo contrário, como se demonstrou, cada vez que a esquerda adota uma política de direita, perde apoio social, porque, ao contrário do que esses políticos pequeno-burgueses pregam, o povo não é ignorante. Assim, graças à “ajudinha” da esquerda, o povo é levado para os braços da extrema-direita e sua demagogia.




