A América Latina se transformou num barril de pólvora. Com a implantação da política neoliberal imposta pelo imperialismo através de seus capachos, uma intensa mobilização tem se instaurado em diversos países. Os golpes contra o povo revelam a natureza do regime “democrático” burguês, seja através das eleições – como é o caso do Brasil, ou através da cooptação de arrivistas como Lenín Moreno, no Equador. Esse quadro, naturalmente, impõe sobre os países atrasados toda a fatura de uma crise aguda do capitalismo; uma crise que tem revelado o caráter ditatorial das classes dominantes sobre a população; onde o Estado – aparelhado pela burguesia e seus fantoches – constitui um comitê de guerra contra o povo. Diante da escalada de conflitos e da patente crise institucional que esses regimes se encontram, o que fazer?
Os protestos no Equador e no Chile nos últimos dias têm colocado os governos lacaios do imperialismo contra a parede. Lenín Moreno, no Equador, aproveitara a onda nacionalista de Rafael Correa; porém, assim que assumiu o cargo de mandatário, tratou de se submeter aos capitalistas internacionais e obedecer a velha e conhecida cartilha de destruição socioeconômica do FMI. Moreno, todavia, não contava com um levante popular que o levaria a trocar a sede do governo para Guaiaquil. Após os dez dias que abalaram o Equador, Lenín Moreno conseguiu cooptar boa parte da direção dos insurgentes e, por fim, segurou a revolta que poderia ter evoluído para a sua própria derrubada.
No Chile, assim como no Equador, foi decretado Estado de Emergência – uma espécie de golpe militar temporário. Sebastían Piñera, por sua vez, tem lançado as forças armadas contra o povo para defender os interesses do imperialismo e manter o podre sistema neoliberal imposto aos chilenos, ainda que por aparelhos, funcionando.
A situação no Brasil, no entanto, encaminha-se para uma embate contra o governo golpista de Jair Bolsonaro (PSL). A desmoralização da operação Lava Jato, o reconhecimento por parte dos próprios golpistas, como Temer, Aloísio Nunes etc; que a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, em 2016, foi um golpe; a crise institucional e do próprio bloco golpista, dão sinais de que o regime está em vias de putrefação.
A crise em que se encontram os países da América Latina é fruto da crise internacional do capitalismo, resultado da implementação da política neoliberal que Bolsonaro, Moreno, Piñhera e seus asseclas tem colocado em prática através do controle do aparato repressivo e das instituições burguesas. Não há, portanto, outro caminho senão as ruas. Somente uma grande mobilização popular será capaz de derrubar esses governos fantoches do imperialismo e colocar na ordem do dia os interesses da classe trabalhadora.
É preciso dar uma saída que coloque em xeque a questão do poder político, que nesse momento está dominado pela direita golpista em todos esses países. Por isso, há uma palavra de ordem que unifica as massas que é a derrubada dos governos da direita de Moreno, no Equador, de Piñera no Chile e de Bolsonaro no Brasil.




