Em partida entre Rayo Vallecano e Albacete, pela segunda divisão da Liga Espanhola, neste domingo, o árbitro decidiu suspender a partida em razão de “insultos” que a torcida do Rayo passou a proferir contra o jogador ucraniano do Albacete, Zozulya, famoso por ser entusiasta do regime nazista de seu país natal. Tudo isso se deu com aval dos dirigentes de ambos clubes. Na ocasião, as ofensas eram nada menos do que “p*** nazista”, uma constatação óbvia sobre o jogador.
Para contextualizar um pouco, o Rayo Vallecano é um rival local do Real Madri e tem em sua trajetória o fato de ter sempre se manifestado contrariamente à ditadura fascista de Franco. Por tabela, sua torcida se orgulha da postura de seu clube no passado. Por outro lado, em 2017, o mesmo jogador quase fora contratado pelo Rayo, contudo a contratação não foi bem sucedida por pressão da torcida do clube, exemplificando assim a quem realmente pertencem os clubes de futebol.
Em nota oficial a Liga espanhola afirmou estar favorável com a decisão e estar trabalhando para o combate à intolerância. Ou seja, no entendimento dos principais dirigentes e capitalistas da bola, manifestar repúdio ao fascismo e nazismo seria um ato de extremismo. Ainda em 2018, o Rayo Vallecano já havia sido multado em 30 mil euros após os jogadores entrarem com uma faixa escrita “goleando o racismo”.
Esses episódios mencionados acima evidenciam o verdadeiro compromisso dos capitalistas e dirigentes a respeito do combate à “intolerância no futebol”. Inicia-se com um verniz progressista como o combate ao racismo, homofobia, xenofobia e logo depois passa a combater justamente torcidas que se manifestam ideias anti-intolerância com o argumento de que estas estariam sendo intolerantes com a intolerância.
No Brasil não é diferente. Quando um árbitro interrompeu uma partida em razão de insultos homofóbicos de uma torcida contra outra, imediatamente a esquerda pequeno burguesa aplaudiu a atitude acreditando que a CBF estaria comprometida com o combate à homofobia. Na verdade abriu-se com sucesso um precedente para autoridades do esporte ou mesmo as polícias passarem a reprimir qualquer manifestação que incomode os interesses burgueses nos estádios. Enquanto o Rayo é punido por usar uma faixa contra o racismo, no Brasil torcedores que estendem faixas antifascistas são coagidos pela polícia militar a dobrá-las.





