Boeing 737 MAX, 346 mortos

Economia fatal: para economizar Boeing construiu avião mais inseguro

Para obter maiores lucros, a empresa Boing (que recentemente adquiriu a estatal Embraer) economizou em questões de segurança que levaram a morte milhares de pessoas.

Sistema no Boeing 737 MAX poderia ter evitado quedas na Etiópia e Indonésia. Equipamento de segurança teria sido rejeitado para minimizar custos e evitar treinamento de pilotos, denuncia engenheiro, em reportagem da folha.

Por um lado a Boeing em comunicado do porta-voz, Gordon Johndroe, assegura que “Segurança, qualidade e integridade são a base dos valores da Boeing”, de outro lado, Engenheiro sênior da Boeing, Curtis Ewbank, em queixa interna diz o contrário, “gerentes da Boeing rejeitaram as recomendações dos engenheiros ou simplesmente priorizaram os lucros”.

Ewbank, que trabalhou no desenvolvimento do jato 737 MAX,  categoricamente, afirma que “a empresa rejeitou um sistema de segurança para minimizar custos”. O equipamento, segundo ele, poderia ter reduzido os riscos que contribuíram para dois acidentes fatais: um na Etiópia, em março deste ano, e outro na Indonésia, em outubro de 2018.

Ewbank trabalhou nos sistemas de cabine de pilotagem que os pilotos usam para monitorar e controlar o avião. Em sua queixa à Boeing, ele disse que os gerentes foram solicitados a estudar um sistema de backup para calcular a velocidade do avião. O sistema, conhecido como velocidade do ar sintética, utiliza várias fontes de dados para medir a rapidez com que uma aeronave está voando. O engenheiro disse que esse equipamento pode detectar quando os sensores de ângulo de ataque, que medem a posição do avião no céu, estão com defeito e impedem que outros sistemas confiem nessas informações errôneas. Uma  versão do sistema é usada no 787 Dreamliner da Boeing, um novo modelo de avião.

Nos dois acidentes do Jato 737 MAX, acredita-se que um sensor de ângulo de ataque tenha falhado, enviando dados errados para um software automatizado projetado para ajudar a evitar a perda de sustentação da aeronave. O software MCAS teria sido ativado indevidamente, fazendo com que os aviões sofressem quedas abruptas sem volta.

“Não é possível afirmar com certeza que implementação real da velocidade do ar sintética no 737 MAX teria evitado os acidentes” na Etiópia e na Indonésia, mas uma certeza Curtis Ewbank tem, “as ações da Boeing sobre o assunto apontam para uma cultura que enfatiza o lucro, à custa da segurança”.

“Eu estava disposto a defender a segurança e a qualidade, mas não consegui exercer de fato nenhum efeito sobre essas áreas”

“A administração da Boeing estava mais preocupada com custo e cronograma do que com segurança ou qualidade”.

Curtis Ewbank, relata que Ray Craig, um dos principais pilotos de teste do 737, e outros engenheiros queriam estudar a possibilidade de acrescentar o sistema de velocidade do ar sintético ao MAX, mas o executivo da Boering decidiu não averiguar. O sistema custaria dezenas de milhões de dólares durante a vida útil de uma aeronave. Mudanças no MAX poderiam exigir a aprovação mais onerosa para um novo avião. Treinamento pra pilotos nesse novo sistema provocaria custo adicional a essa nova aeronave.

O executivo-chefe da Boeing deturpou publicamente a segurança do avião, aponta Curtis Ewbank.

Outro ex-funcionário sênior da Boeing envolvido nas discussões, sob condição de anonimato, respaldou a denúncia de Ewbank. Disse dos benefícios do sistema instalados no 787 Dreamliner.

Confirmou que executivos da Boeing chegaram a discutir o sistema. Alegaramno entanto, que tentar instalar essa nova tecnologia no 737 MAX, um avião baseado em um design da década de 1960, seria muito complicado e arriscado.

Boeing instalou o sistema apenas nos 787 Dreamliners. Não se lembra de os executivos da Boeing, ao não incluir o sistema, levar em conta o possível impacto no treinamento de pilotos.

O capital não se importa com nada além do lucro. Por isso a produção tem que ser submetida a uma supervisão social, sob o controle dos trabalhadores. Na mão dos capitalistas é como deixar na mão de bandidos e resultaram em 346 mortos no espaço de cinco meses atestam a cruel realidade, 157 mortos na queda do Boeing 737 MAX, na Etiópia em março de 2019, mais 189 na indonésia em Outubro de 2018.

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