Protestos em todo o país

Colômbia: a crise do uribismo

Extrema-direita se preparou para a repressão, diante do exemplo do que aconteceu no Equador e no Chile

O levante continental contra o imperialismo chegou à Colômbia. Iván Duque, presidente colombiano herdeiro político de Álvaro Uribe, foi contestado durante a quinta-feira (21) por uma paralisação no país, marcada por uma greve geral e por protestos liderados por sindicatos e entidades estudantis. Houve grandes manifestações em Bogotá, Medellín e Cali. Os manifestantes protestaram contra uma série de políticas econômicas do governo ditatorial colombiano, como privatizações, reforma da previdência, aumento de impostos para trabalhadores e diminuição de impostos para as empresas, entre outras reivindicações.

Extrema-direita se preparou

Com o exemplo do Chile e do Equador em mente, o governo da Colômbia tomou providências para reprimir a população. Decretos e circulares internas deixaram governadores, prefeitos e as forças repressivas em alerta, prontas para intervir sob um estado de emergência. Seguindo o exemplo da resposta improvisada de sebastián Piñera no Chile, que decretou estado de emergência no começo dos protestos que começaram em 18 de outubro, sendo obrigado a suspendê-lo posteriormente devido à proporção dos protestos.

Iván Duque também tomou a providência de fechar as fronteiras, como se estivesse se preparando para uma guerra. Dessa vez não houve grandes embates para esmagar os protestos, no entanto, as preparações da extrema-direita já mostram a disposição do governo de esmagar a população. Como em toda a América Latina, a direita não está disposta a ceder nenhum terreno diante da mobilização popular.

 

Crise do uribismo

O governo de Iván Duque é uma continuação dos governos de Álvaro Uribe, ligado aos paramilitares de extrema-direita que reprimem com especial brutalidade os trabalhadores do campo. Sob governos ditatoriais, a Colômbia foi durante as últimas décadas um enclave do imperialismo norte-americano na região. Sob o tacão da extrema-direita, que, por meio da violência, impede qualquer participação da esquerda e dos trabalhadores no regime político de forma institucional, seria difícil que prosperasse um movimento de contestação contra o governo nas ruas.

No entanto, a tendência à mobilização e muito forte, diante dos ataques às condições de vida da grande maioria da população, como está acontecendo em outros países. Apesar da repressão histórica, o povo colombiano sai às ruas para exigir seus direitos. Como no Equador e no Chile, e na reação ao golpe na Bolívia, a mobilização na Colômbia expressa o embate dos trabalhadores latino-americanos com o imperialismo, que lançou uma política de intensificação da exploração dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, o fato de que essa crise possa explodir agora até mesmo na Colômbia demonstra a crise da dominação imperialista em todas as partes.

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