Ninguém aguenta mais ouvir falar dos cerca de 3 bilhões de gêneros diferentes que existiram, existem e ainda podem existir no mundo da pequena-burguesia. De beluagênero à schrodigênero (você não leu errado), nem quem é adepto a cada um sabe a diferença exata, afinal, são conceitos tão abstratos que beiram a insanidade — podemos, inclusive, citar o gênero emperceptine que, de acordo com sua descrição, é “completamente desconhecido e fundamentalmente incompreensível. Não pode ser entendido de qualquer maneira ou forma“.
Seguindo neste tema, o destaque de hoje é o ecossexualismo*. Esta é uma peculiar forma de… bom, de supostamente apreciar e cuidar da natureza, só que com fé e sexo. Os ecossexuais acreditam que a sua fé ajudaria a propagar o ambientalismo, e pregam um estilo de vida sustentável, com o menor número possível de danos à natureza, uma vez que esta é sua amante. Os ecossexuais casam com o sol, a lua, a água, a terra. Transam embolados em plantas e terra, se masturbam embaixo de cascatas e têm conversas picantes com flores.
Os ecossexuais realizam eventos e convenções para demonstrar seu amor à natureza — eles até mesmo possuem um manifesto! Este foi traduzido para diversos idiomas, mas não para português, então sua versão em espanhol e o link para as outras versões estarão disponíveis no final deste texto.
As principais representantes do ecossexualismo são o casal de norte-americanas Annie Sprinkle e Elizabeth Stephens. Elas promovem casamentos, eventos e atos com e a favor da terra. Um de seus principais lemas é que precisamos parar de enxergar a terra como uma mãe e enxergá-la como uma amante, isso porque uma mãe perdoa os erros do seu filho, enquanto um parceiro requer mais cuidados e atenção para não ser perdido. Annie e Elizabeth já realizaram documentários, eventos, ensaios fotográficos, peças de teatro e até escreveram um livro sobre a ecossexualidade.
É interessante notar que, diferentemente do homossexualismo e outros presentes na infinita sigla LGBT, o ecossexualismo não é (ironicamente) algo natural, mas sim um movimento social. Suas intenções com esse peculiar tipo de afeto são todas direcionadas para a preservação da natureza, o que, por mais que tenha a eficiência questionável, não é algo que “nasce” com a pessoa, mas sim que ela aprende e decide aderir — essa opinião é reforçada pelo manifesto apresentado anteriormente. Um homossexual, por exemplo, não precisa fazer um manifesto para estabelecer e caracterizar sua existência, algo que, em contrapartida, acaba acontecendo com os ecossexuais.
É interessante observar que as próprias criadoras do movimento afirmam que a ideia era inicialmente trazer a atenção para a importância da terra para o ser humano, realizando as cerimônias de casamento de maneira artística, com os elementos da natureza com a presença de dançarinos, poetas, músicos e outros artistas. Além disso, essa também foi uma forma de protesto contra a legislação norte-americana, que, na época do início do movimento, não permitia o casamento entre homossexuais.
Apesar desse lado político do movimento, é inegável dizer que o ecossexualismo entra no balaio de eu-não-sei-mais-o-que-fazer-da-minha-vida da classe média. O movimento, não surpreendentemente, surgiu nos Estados Unidos e, concretamente, tem uma eficiência próxima de nula no problema que se propõe a resolver. Ele é, na prática, uma peça de propaganda para a questão ambiental, mas nada de fato eficiente e que propõe uma real mudança na situação atual da população mundial — e nem mesmo na situação da natureza.
Leia a seguir o Manifesto Ecossexual (em espanhol). Clique aqui para ver em outros idiomas.
*O redator do texto afirma que não se importa nem um pouco com a diferença entre sexo e gênero e, se por algum motivo, ele sabe a diferença, então ele erra de propósito. Resumindo, não encha o saco!