Da Redação – A Organização dos Estados Americanos (OEA), órgão criado pelo imperialismo norte-americano como um instrumento de controle político e diplomático sobre os países da América Latina, tem um vasto histórico golpista e imperialista.
Desde o apoio ao golpe de Estado na Guatemala em 1954, passando pela expulsão de Cuba do órgão em 1962 porque a Revolução Cubana “violava” seus princípios “democráticos” (capitalistas, subalternos do imperialismo), a OEA tem agido resolutamente para intervir nos assuntos internos dos países da região, como um braço do imperialismo dos EUA.
Em abril do ano passado, o governo de Nicolás Maduro iniciou um processo de retirada da Venezuela do órgão, devido à sistemática campanha da OEA, especialmente de seu secretário-geral, Luis Almagro, de ataques ferozes contra o país, como parte do avanço cruel do imperialismo para derrubar o governo bolivariano.
Dentre as ações imperialistas da OEA está a campanha para deslegitimar as eleições realizadas na Venezuela, mas só aquelas em que o chavismo sai vencedor (e com amplo apoio popular). A organização imperialista tem acusado de fraude as eleições venezuelanas, como a que reelegeu Maduro em maio passado para seu segundo mandato.
Entretanto, as eleições na Venezuela são consideradas, mesmo por representantes mais honestos do imperialismo, como o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, como uma das mais limpas do mundo. Isso porque o eleitor deposita seu voto na urna eletrônica, que emite um papel comprovando o voto para o eleitor ver se foi computado corretamente, e depois ele deposita o papel em outra urna e tem seu dedo pintado para que não vote duas vezes. Assim, na hora da apuração, para evitar fraudes, pode-se verificar o voto eletrônico e o impresso, o que não ocorre no Brasil, por exemplo.
A hipocrisia da OEA se manifesta de maneira mais escandalosa ao falar que a eleição na Venezuela é uma fraude, enquanto no Brasil não é. Foi isso que disse o diretor de Cooperação e Observação Eleitoral da OEA, Gerardo de Icaza, em entrevista ao jornal golpista Folha de S. Paulo.
Como parte da campanha dos golpistas para tentar legitimar a fraude que são essas eleições no Brasil, a imprensa e o Judiciário vêm fazendo diversas matérias e declarações dizendo que não é possível haver fraude, que as eleições serão limpas e justas. A entrevista com o dirigente da golpista OEA vai exatamente nesse sentido.
As eleições, no sistema burguês em geral, sempre são fraudulentas, para dar a impressão de democracia e legitimar o domínio dos capitalistas sobre o povo. As eleições deste ano no Brasil, particularmente, são ainda mais fraudulentas, uma vez que estamos em meio a um golpe de Estado que derrubou uma presidenta eleita (Dilma Rousseff) e prendeu o maior líder popular do País (Lula) para evitar que seu partido (PT) volte ao governo e entregar a presidência ao PSDB de Geraldo Alckmin para que o golpe funcione de maneira mais eficiente do que tem funcionado com a festão de Temer.
Outra prova da fraudulência destas eleições é o controle do Judiciário golpista sobre os partidos e candidatos, indeferindo, impugnando e anulando candidaturas a seu bel prazer, com o alvo principal sendo os partidos de esquerda que têm lutado contra o golpe, como o PT e o PCO, que já teve dezenas de candidatos impedidos de participar destas eleições por uma perseguição política implacável.