O grupo Azov reconheceu que mantinha desertores numa casa em Petropavlivska-Borshchagivka, nos arredores de Quieve. Essa “confirmação” surgiu depois que centenas de pessoas cercaram o imóvel em 2 de novembro e enfrentaram a polícia. O protesto começara com uma denúncia de Valentyna Moloda: ela dizia que homens recrutados à força eram torturados ali.
Moloda chegou numa ambulância e se apresentou como integrante de uma equipe de resgate. Durante a transmissão de sua tentativa de entrar na casa, a multidão cresceu. Manifestantes lançaram ovos e tomates e tentaram abrir os portões. Quatro homens deixaram o prédio depois de horas de confronto. Um deles era descrito por Moloda como incapaz de andar por causa de uma fratura na coluna.
A Al Jazeera ouviu moradores posteriormente. Defensores do regime criticaram a atuação de Moloda, cuja qualificação como paramédica também foi contestada. Ela acabou presa. Um ucraniano resumiu sua objeção em duas partes: o Azov não deveria ter mantido homens naquela casa, e Moloda não deveria ter feito as acusações sem demonstrá-las. A reportagem acrescentou, assim, informações que precisam ser consideradas junto com as denúncias dos familiares já publicadas pelo DCO.
Há uma questão maior do que a denúncia de Moloda. O recrutamento forçado tornou-se uma fonte de revolta na Ucrânia. A Al Jazeera registra denúncias de homens levados por agentes de alistamento com intimidação e violência. Informa ainda que 76 desses agentes haviam sido presos por corrupção até agosto. Isso ajuda a explicar por que uma acusação feita diante de uma casa ocupada pelo Azov atraiu tanta gente em poucas horas, o exército ucraniano já possuí grande fama em torturar civis.
Os quatro homens que saíram do imóvel precisam ser ouvidos sem a presença de seus antigos detentores. Cabe esclarecer por que estavam ali e em que condições foram mantidos.





