A caricatura do social não pode prevalecer
No dia 26 de outubro último, tivemos no Brasil o segundo turno da eleição para presidente da República. E o resultado foi o nome de Lula da Silva para ocupar pela quarta vez a gerência do país brasileiro.
O que mudou?
O pano de fundo destas eleições foi muito diferente das demais, das outras três, pois contou com forte participação popular nas ruas do Brasil afora. A motivação deste grandioso movimento foi a preocupação do povo com possíveis mudanças estruturais e conjunturais no mapa social.
O adversário de Luiz Inácio Lula da Silva carrega o sobrenome do bolsonarismo, que é um movimento simbolicamente carregado de sentido antissocial. Pelo menos é assim que as mudanças ocorridas na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro demonstraram.
Uma delas atingiu o coração dos aposentados e ocorreu com a Reforma da Previdência, em 2019, inclusive cortando 40% dos proventos de funcionários aposentados por incapacidade laboral.
Referência legal: BRASIL. Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, especialmente artigo 26, § 2º. Reforma da Previdência. Diário Oficial da União, Brasília, 13 de novembro de 2019.
Os problemas relacionados à pandemia da Covid-19 também deixaram marcas profundas no social durante o período da gestão do referido presidente.
Se eu pudesse estar hoje entrevistando o presidente Lula, como jornalista que sou, formada pela UMESP, em São Paulo, e portadora da carteira da ABI, um de meus questionamentos seria:
Presidente, o que fazer para aumentar o salário mínimo no Brasil?
Na minha opinião, mudanças estruturais são necessárias para modificar o status quo do nosso querido povo, tão aguerrido nas ruas entre o primeiro e o segundo turno da última eleição. Tão apaixonado, perspicaz e determinado em ter mais uma vez no comando de seu amado Brasil aquele homem que veio do Nordeste, trazendo na bagagem a esperança de dias melhores. Aquele que só comeu pão aos sete anos e que sabe muito bem como é dura a vida do povo brasileiro e, em especial, do povo nordestino.
Me familiarizo por demais com Luiz Inácio, o presidente. Somos escorpianos. E uma das características deste signo é a determinação e a capacidade de superação. Assim como o presidente Lula, já me superei diversas vezes, chegando até o subsolo e conseguindo voltar à luz, tal como faz o aracnídeo que traz um aguilhão na cauda.
E esse aguilhão nada mais é do que um símbolo de resistência, uma defesa oferecida a esses seres para que permaneçam fortes diante das adversidades. Não se trata de atacar, mas de resistir. É a força que se manifesta quando a sobrevivência exige coragem, quando a adversidade tenta nos imobilizar e quando precisamos encontrar, dentro de nós, os meios para voltar à luz.
Sabemos que a democracia é assim: uns desejam, outros não. Mas o que fica de importante nisso tudo é que o social precisa ser verdadeiramente fortalecido em nosso país. Não podemos deixar que reformas que tragam arrocho, cortes ou mudanças em relação às eleições, como as que estão sendo desejadas agora em relação ao voto distrital, venham a derrubar as esperanças de uma mudança de realidade para cada brasileirinho sofrido que habita o enorme pedaço de chão que já foi tão abusado desde a colonização.
Nós, brasileiros sofridos, esperamos que a CARICATURA DO SOCIAL NÃO PREVALEÇA durante os próximos quatro anos!




