O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, denunciou a atuação do Diário do Centro do Mundo (DCM) na perseguição policial contra o Partido. Ao comentar as mensagens sobre pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro ao portal, Pimenta questionou quem financiou as acusações utilizadas na investigação contra a organização.
“Agora, no meu caso, o que eles têm para investigar? Nada. É a matéria do DCM. O DCM falou que eu estou desviando o dinheiro do fundo partidário. […] É um processo especulativo, portanto dá para perceber que tudo isso é uma armação política. E quem fez a armação política? O DCM. E o DCM agora aparece aí, pago pelo Vorcaro. Não fica a pergunta: quem pagou pelas acusações contra o PCO?”
Reportagem do UOL publicada na quinta-feira (15) revelou novas conversas sobre um acordo para suspender críticas ao Banco Master e publicar matérias contra adversários de Vorcaro. As negociações incluíam a retirada de textos e uma publicação mensal sobre pessoas escolhidas pelo grupo do banqueiro. Em junho, a Folha de S.Paulo já divulgara informações da investigação sobre pagamentos de R$50 mil mensais.
Pimenta anunciou que o PCO levará o caso Vorcaro ao processo. Também recordou que Kiko Nogueira, diretor do DCM, anunciou que as acusações publicadas pelo portal resultariam em ação judicial:
“Uma coisa interessante: quando eles fizeram essas denúncias fajutas, o Kiko Nogueira, que é o dono do DCM, declarou — a gente pode ir lá e pegar isso — ‘essas denúncias aqui vão dar processo’. Ou ele é uma pessoa com grande capacidade de previsão, ou esse processo foi montado a partir da denúncia do DCM para acontecer contra o PCO. Nós logicamente vamos entrar com o caso Vorcaro no processo para mostrar que a denúncia do DCM não tem valor nenhum.”
A campanha contra o PCO começou depois das reportagens do Diário Causa Operária sobre as relações de Guilherme Boulos com o imperialismo. Em novembro de 2021, o DCO denunciou a aproximação do dirigente do PSOL com figuras da direita golpista e organizações ligadas à política externa norte-americana. Naquele período, Pimenta participava de um programa do DCM ao lado de Leandro Fortes.
“É interessante o caso do DCM pelo seguinte: [uns] quatro anos atrás, eles fizeram uma campanha contra o PCO. Campanha, obviamente, que alguém pagou para eles fazerem. Nós fizemos críticas ao [Boulos]. Naquele momento eu tinha um programa que eu fazia no DCM junto com o Leandro Fortes […]. E aí nós criticamos o [Boulos], mostramos relações dele com o imperialismo etc., e a partir daí o DCM cancelou esse programa e começou a campanha contra o PCO.”
Entre os alvos dos ataques estavam as despesas com empresas pertencentes a militantes. O portal apresentou a contratação desses fornecedores como indício de corrupção, utilizando dados que o próprio Partido entregara à Justiça Eleitoral.
“Aí ele foi e descobriu que a gente deu dinheiro para uma empresa que era de propriedade de militantes do partido. Falou: ‘olha aí, são de militantes do partido’. Está na Justiça Eleitoral. É tão criminoso que a gente colocou a documentação do negócio na Justiça. […] Criou um escândalo falso, porque, se fosse irregular, a própria Justiça Eleitoral teria que falar: ‘isso aqui é totalmente irregular, é criminoso’. Mas ninguém falou nada. Eles criaram o escândalo. Escreveram várias matérias. Chegaram inclusive a pegar pessoas que saíram do PCO, que foram lá para caluniar o partido com outras bobagens.”
Em resposta, o PCO apresentou dados sobre sua atividade gráfica. Em 2020, o Partido gastou R$55 mil com os Correios para enviar mais de sete toneladas de material impresso a municípios de todo o País. Informou também a produção de mais de 10 milhões de unidades de materiais eleitorais em 2018 e novamente em 2020. Jornais, panfletos e cartazes eram distribuídos pelos militantes, mas o DCM tratava os gastos com sua impressão como suspeitos.
Pimenta denunciou ainda a atuação de Pedro Zambarda na campanha. O dirigente lembrou que o jornalista trabalhou no livro de Joice Hasselmann contra o PT antes de passar a se apresentar como defensor do petismo:
“Eles têm um cidadão lá que passa por jornalista, que é o Pedro Zambarda, uma espécie de braço direito do dono do DCM, que é o Kiko Nogueira. E esse Pedro Zambarda é um mercenário. Normalmente a gente diria ‘da pena’, mas hoje em dia seria um mercenário do teclado, né? É um teclado à venda. Ele foi a pessoa que escreveu, a pedido da Joice Hasselmann, o livro dela contra o PT. E depois […] se transformou num petista fanático.”
As matérias do DCM serviram para ampliar a investigação contra o PCO. A polícia passou a chamar fornecedores e profissionais contratados pelo Partido a partir das acusações encontradas na internet, conforme explicou Pimenta:
“No meio desse inquérito, para vocês verem como funciona a justiça e a investigação policial, o delegado responsável descobriu na internet as matérias do DCM que falavam do dinheiro do fundo partidário, do fundo eleitoral do PCO. Aí começou uma nova fase de investigação. Eles chamaram a gráfica que a gente havia contratado, a empresa de vídeo, o advogado do partido, chamaram um monte de gente. Quer dizer, o inquérito começou com aquele negocinho e de repente transformou-se num negócio generalizado de investigação do PCO.”
Em 11 de agosto de 2026, a Polícia Federal cumpriu busca em endereço de Pimenta na investigação sobre recursos partidários e eleitorais. A decisão determinou também seu afastamento do cargo partidário por 180 dias. O PCO denunciou a operação como perseguição política contra a organização e seu candidato à Presidência.
O portal que alimentou essa ofensiva aparece nas mensagens de Vorcaro em negociações intermediadas por Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário. Em outubro de 2024, depois de uma notícia negativa, o banqueiro cobrou um acordo mensal com o DCM. Em maio de 2025, exigiu a retirada de outro texto crítico ao Master.
Os ataques ao PCO continuaram depois da decisão pelo voto nulo no segundo turno. O DCM apresentou a orientação como um apoio disfarçado a Flávio Bolsonaro e atribuiu a Pimenta uma declaração favorável ao candidato:
“O DCM é um dos órgãos que falaram, agora recentemente, que o PCO chamou o voto nulo para disfarçar o fato de que nós estaríamos votando no Flávio Bolsonaro. Uma coisa boa da política é que ela não é como um filme, que começa e termina em algum lugar. […] Às vezes dá a impressão de que terminou, mas a coisa continua. Nessa etapa dos acontecimentos, nós estamos vendo os acusadores serem completamente desmascarados. A matéria do DCM: ‘Melhor votar no Flávio Bolsonaro, [diz] Costa Pimenta’. Eu não disse nada disso.”





