A Polícia Militar realizou nesta sexta-feira (16/10) operações na comunidade do Muquiço e no Complexo da Pedreira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. No Muquiço, agentes do 9º Batalhão detiveram um homem e apreenderam drogas cujo volume ainda não havia sido contabilizado, além de um rádio comunicador. A ocorrência foi encaminhada à 30ª Delegacia de Polícia, em Marechal Hermes.
Na Pedreira, policiais do 41º Batalhão deram início à chamada Operação Barricada Zero. A PM apresentou como objetivos retirar barricadas, recuperar veículos roubados ou clonados e reprimir roubos de cargas e de automóveis. Até a publicação das primeiras informações, a corporação não havia divulgado o resultado da ação nessa comunidade.
A PM anuncia essas ações como combate ao tráfico e aos roubos. No Muquiço, o resultado comunicado até então se limitava a uma detenção, drogas sem quantidade divulgada e um rádio. Na Pedreira, ainda não havia balanço. A rotina de enviar tropas às favelas prossegue mesmo quando o resultado apresentado pela corporação é tão reduzido.
Na Pedreira, a retirada de barricadas ganhou até nome de operação: Barricada Zero. O comunicado não informa quantas foram removidas nem se os moradores puderam circular após a passagem da polícia. Também não apresenta dado que ligue a incursão a uma redução dos roubos ou do comércio de drogas na região.
O Diário Causa Operária tem acompanhado a repetição dessas incursões no Rio. Em setembro, uma operação da PM na Zona Oeste afetou o funcionamento de dez escolas. Em outras ações, tiroteios, bloqueios de vias e suspensão de aulas apareceram lado a lado com comunicados policiais sobre apreensões.
A política da guerra às drogas fornece uma justificativa permanente para enviar forças armadas aos bairros operários. A proibição mantém um mercado clandestino lucrativo; a cada nova operação, o Estado promete resolver com fuzis um problema que essa mesma política ajuda a reproduzir. O programa defendido pelo PCO exige a dissolução da Polícia Militar e a legalização de todas as drogas, retirando da clandestinidade o negócio usado para justificar a ocupação militar das favelas.




