Brigadas armadas e financiadas pela Arábia Saudita entregaram suas armas durante o avanço das forças revolucionárias do Iêmen na província de Taiz. A Al Mayadeen publicou os relatos na quinta-feira (8), sem informar quantos combatentes se renderam. O recuo ocorreu quando os aliados de Riade tentavam recuperar territórios perdidos para o Ansar Alá.
As Forças Armadas do Iêmen também atacaram posições dessas tropas junto à costa ocidental. O porta-voz militar Iahia Sariá anunciou disparos de mísseis balísticos contra o acampamento de Qaawah, em Ras al-Arah, e contra concentrações militares em al-Saqiya e ao sul do estreito de Babelmândebe. Ele afirmou que os ataques incendiaram depósitos de armas e causaram dezenas de mortos e feridos.
A contraofensiva saudita procurava reverter a derrota sofrida em setembro. Naquele mês, os iemenitas retomaram seis distritos nas províncias de Taiz e Hodeida, conquistaram o porto de Al-Mokha e chegaram a Babelmândebe. O estreito liga o Mar Vermelho ao golfo de Áden e dá acesso a uma das principais rotas comerciais do mundo. Riade e seus aliados haviam levado anos para ocupar parte das posições que perderam nessa operação.
A monarquia saudita financia os agrupamentos que combatem o Ansar Alá e dispõe dos recursos de um dos países mais ricos da região. Sua guerra contra o Iêmen contou ainda com armamentos e apoio político dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França. Com todos esses meios, não conseguiu desalojar o movimento revolucionário de Saná. Agora, nem a tentativa de recuperar a costa impede que seus lacaios abandonem as armas em Taiz.
O Ansar Alá tomou a capital iemenita durante a revolução de 2014. A Arábia Saudita iniciou a intervenção militar no ano seguinte para devolver o poder ao regime putrefato e antipopular que havia sido derrubado pelo povo iemenita. Bombardeios e bloqueio atingiram a população civil, mas não acabaram com a resistência. As forças revolucionárias conservaram suas posições, desenvolveram mísseis e drones e passaram a levar a guerra às bases e tropas mobilizadas contra o país.
A operação iemenita mostra como um povo oprimido pode se defender. Os combatentes do Ansar Alá enfrentam uma monarquia abastecida pelas principais potências imperialistas e lutam em seu próprio território, contra tropas mantidas pelo dinheiro estrangeiro. O relato de rendições em Taiz surgiu justamente quando Riade precisava demonstrar que ainda era capaz de retomar as posições perdidas na costa.
Ontem (12), o Ansar Alá foi elogiado por Donald Trump pela sua atuação na guerra. “Os houthis estão se comportando muito mal”, declarou o presidente americano. Houthis é um termo pejorativo utilizado pelos contrarrevolucionários para se referir ao movimento do Ansar Alá, derivado do nome de um clã que iniciou o movimento revolucionário. Foi uma confissão do problema ao imperialismo e a seus fantoches que está sendo causado pela combativa e gloriosa resistência iemenita.
Saudi-backed mercenaries lay down their arms and surrender to Ansar Allah pic.twitter.com/3vpMjG0GjP
— HatsOff (@HatsOffff) October 12, 2026





