Em reportagem publicada em 9 de outubro, a revista Veja afirma que Daniel Vorcaro relatou pagamentos a dirigentes do PT em troca de acesso a fundos de pensão de estatais. As acusações estão em uma proposta de delação do banqueiro e em um áudio obtido pela revista. Não há, no material publicado, prova de que os crimes narrados tenham ocorrido. Denúncias da imprensa burguesa, especialmente de uma publicação como a Veja, não podem ser aceitas como verdade sem comprovação.
De acordo com a revista, Vorcaro disse que João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, exigiu cerca de R$30 milhões em dinheiro vivo para financiar um documentário sobre Lula e fazer pagamentos ao Instituto Lula. O banqueiro também teria relatado a cobrança de 10% sobre os recursos captados pelo Banco Master junto a fundos de previdência ligados à Caixa, ao Banco do Brasil, à Petrobrás e aos Correios. A Veja calcula que, se a operação tivesse dado certo, o grupo petista receberia R$1 bilhão, enquanto o banco captaria R$9 bilhões.
A reportagem atribui a Vorcaro a afirmação de que seu então sócio, Augusto Lima, articulou a aproximação com Vaccari com a participação do senador Jaques Wagner. Também cita Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, seu secretário-executivo Olavo Noleto e operadores identificados como Júlio e Fernando. Segundo a revista, mensagens encontradas no celular do banqueiro corroborariam parte dos contatos e das tentativas de marcar reuniões com dirigentes dos fundos. Isso não comprova, por si só, que houve pagamento de propina nem que os políticos citados participaram de um esquema.
A Veja relata ainda que o Banco Master entrou, em abril de 2024, na lista de instituições autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais. No mesmo dia, Júlio teria cobrado R$500 mil de Vorcaro. A matéria menciona jantares entre o banqueiro e auxiliares de Padilha e uma possível reunião com Lula, mas admite que não há confirmação de que o presidente tenha encontrado Vorcaro. As tentativas de investimento do Master nos fundos federais, segundo a publicação, não avançaram como o banqueiro pretendia.
A Veja escreveu que a Procuradoria-Geral da República não levou o caso adiante por falta de provas. Após a publicação, a PGR declarou que recebeu as propostas apresentadas pela defesa “sem juízo nem recusas prévias” e que não houve depoimento oral de Vorcaro porque a proposta foi rejeitada, por motivos comunicados à defesa. A defesa de Augusto Lima classificou as informações como falsas e unilaterais. Lula, Noleto e Padilha negaram, segundo a própria revista, ter recebido recursos ou participado do esquema.
O PT agora chama de farsa uma denúncia da Veja. Quando a imprensa burguesa publicou acusações contra Flávio Bolsonaro no caso Dark Horse, porém, o partido as tomou como verdade e fez do caso um dos eixos de sua campanha.
As acusações contra os petistas citados precisam ser provadas. O mesmo critério deveria ter sido aplicado ao caso Dark Horse. O PT preferiu usar as denúncias contra seu adversário como fatos consumados; agora experimenta do próprio veneno.


