O presidente do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, fez um balanço da campanha eleitoral do partido e destacou que, apesar das impugnações de candidaturas, da operação da Polícia Federal contra sua casa e dos obstáculos para usar o fundo eleitoral, o PCO dobrou sua votação em relação a 2022. A soma dos votos recebidos em todos os cargos passou de 68.113 para 135.701, um crescimento de 99,2%.
O total reúne 129.766 votos nominais e 5.935 votos de legenda. Como cada eleitor vota em candidatos para diferentes cargos, a soma não corresponde ao número de eleitores distintos. O PCO disputou cinco cargos, teve 99 candidatos com votos e alcançou sua melhor colocação na disputa para governador: 20º lugar entre 27 partidos.
Pimenta lembrou que o partido teve pouco tempo para organizar a campanha. O fundo eleitoral chegou duas semanas antes da votação, e a operação da PF no início do período eleitoral criou dificuldades para a organização partidária.
Entre os entraves, ele citou o indeferimento dos candidatos do PCO em São Paulo, depois que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) impediu a regularização do diretório estadual. Também houve candidaturas impugnadas em pelo menos outros dois estados. “Nós passamos a campanha eleitoral toda lutando para regularizar essa situação”, disse.
A operação da Polícia Federal em sua casa serviu para associar seu nome à corrupção e produzir propaganda negativa durante a eleição. “Não tinha razão de ser. Mas não deixa de ser uma coisa oportuna você começar a eleição acusando o candidato de extrema esquerda de ser corrupto”, afirmou Pimenta.
Pimenta relatou ainda que o processo relacionado à operação criou dificuldades práticas. O partido foi impedido de usar seu advogado e a gráfica que utilizava habitualmente. O próprio presidente não podia assinar documentos ligados ao fundo eleitoral, o que obrigou a direção a fazer mudanças e contornar problemas burocráticos.
“Todas as pedras que eles podiam colocar no nosso caminho, colocaram”, resumiu. A imprensa burguesa também procurou ocultar a campanha do PCO, enquanto dava destaque a outras organizações que disputavam votos no mesmo campo político.
Apesar dos obstáculos, o partido usou inteligência artificial para reconstruir os resultados de São Paulo. Pimenta destacou o desempenho de Izadora Dias, candidata do PCO ao governo paulista, que recebeu 25 mil votos e foi a candidata do partido mais votada para o cargo. Na votação nacional para governador, o PCO somou 46.078 votos; para o Senado, 60.912.
“Com o tipo de campanha que a gente fez, com o tipo de estrutura que a gente tem e o tipo de dedicação que a gente dá à eleição, é uma votação importante”, afirmou. Pimenta ressaltou que o PCO não passa o ano inteiro trabalhando para a disputa eleitoral, ao contrário de partidos que concentram sua atividade na preparação das eleições. “Quando chega a campanha eleitoral, a gente vai atrás e faz a campanha eleitoral, mas não é a preocupação central do partido”, disse.
A votação que chamou a atenção de Pimenta foi a da Presidência. Ele comparou os cerca de 15 mil votos recebidos por sua candidatura com os 25 mil de Izadora Dias em São Paulo. “Eu em São Paulo acho que não cheguei a mil votos. Quer dizer, teve 25 mil pessoas que votaram nela, mas não votaram para o presidente”, observou.
O resultado nacional para presidente foi de 15.024 votos. Para deputado federal, o PCO recebeu 7.687 votos; para deputado estadual, 6 mil. Pimenta rejeitou a explicação de que a diferença entre os votos se deva apenas ao voto útil. Também comparou o resultado presidencial atual com o de 2014, quando o partido recebeu cerca de 12 mil votos, apesar de ser muito menos conhecido.
O presidente do PCO lembrou a presença do Partido em entrevistas, programas e transmissões pela internet. O programa Análise Política da Semana, afirmou, teve 40 mil visualizações na semana anterior e costuma passar de 20 mil. “Todo mundo conhece. Muita gente elogia as posições do partido, mas, na hora de votar, vota todo mundo no Lula. Faz sentido?”, questionou.
Pimenta também comparou o resultado com o de candidatos de outros partidos de esquerda. Mencionou o candidato do PCB, Edmilson, que recebeu cerca de 20 mil votos, embora o partido tivesse candidaturas em poucos estados. “Como é possível?”, perguntou, ao contrastar esse resultado com a votação do PCO, que lançou candidaturas em 18 estados.
O levantamento dos votos nulos registrou 9.564 casos em que o eleitor digitou um número iniciado por 29. Esse total inclui votos anulados em cargos nos quais o PCO não tinha candidato, números inexistentes e candidatos que não estavam na urna. A contagem foi feita com base nos registros digitais de 499.206 das 499.207 seções.
Pimenta contou que pelo menos meia dúzia de pessoas entrou em contato com o partido dizendo que votou no PCO, mas não viu o voto aparecer na seção. “Quando começou aquela conversa de que a urna é absolutamente segura, a gente falou: não”, declarou. Ele afirmou que a imprensa burguesa procura impedir que o PCO apareça ou apresenta o partido apenas de forma negativa. “Não querem que a gente apareça. E depois também ninguém sabe o que aconteceu na eleição presidencial. Quem diz que esse resultado é o resultado real? Ninguém pode afirmar categoricamente”, disse.
Os números também mostram o crescimento da votação por candidato: a média passou de 562,9 votos em 2022 para 1.370,7 em 2026, alta de 143,5%, embora o partido tenha passado de 121 candidaturas para 99. Para Pimenta, a votação confirma uma perspectiva de desenvolvimento do PCO e poderia ter sido maior se a disputa fosse democrática. “Apesar disso, a votação do PCO foi positiva”, concluiu.




