O movimento estudantil francês levou mais de 130 mil pessoas às ruas na quinta-feira (8), segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT). Em Paris, uma grande manifestação ocupou a Praça da Bastilha, local associado à Revolução Francesa de 1789. Os estudantes protestam contra a falta de professores, o estado das escolas públicas e as dificuldades de acesso ao ensino superior.
Segundo a CGT, a jornada reuniu manifestações e concentrações em mais de 150 localidades. O sindicato informou que cerca de 2 mil liceus foram atingidos pela mobilização. O Ministério do Interior apresentou números menores, contabilizando 71.500 participantes nas manifestações de rua, dos quais 24.500 estavam em Paris.
O governo também registrou aproximadamente 55 mil pessoas em ações realizadas diante de estabelecimentos de ensino. A mobilização alcançou universidades, ampliando um movimento que havia começado entre estudantes do ensino médio.
Em Paris, os manifestantes ocuparam a Praça da Bastilha. A União Estudantil publicou uma mensagem comemorando a retomada simbólica do local, historicamente associado à derrubada da monarquia francesa.
A manifestação terminou com confrontos entre grupos de estudantes e a polícia. Segundo as autoridades, integrantes de grupos conhecidos como black blocs lançaram objetos contra os agentes, que responderam utilizando canhões de água e gás lacrimogêneo.
Ao final do dia, o Ministério do Interior informou a detenção de 504 pessoas. Também registrou 48 policiais e integrantes da Gendarmaria feridos. A repressão policial tornou-se uma das principais razões de revolta dos estudantes, que já vinham denunciando agressões e detenções durante manifestações anteriores.
A mobilização teve início em setembro, quando estudantes começaram a bloquear estabelecimentos de ensino para denunciar a ausência de professores e as péssimas condições materiais das escolas. Os protestos se espalharam rapidamente para outras regiões da França.
Entre as reclamações estão salas superlotadas, falta de funcionários, edifícios deteriorados e aulas canceladas pela ausência de docentes. Os jovens também exigem mudanças no processo de ingresso nas universidades.
Uma das principais reivindicações é o fim do Parcoursup, sistema utilizado para selecionar estudantes para o ensino superior. A CGT denuncia que o mecanismo aprofunda as diferenças sociais, pois os candidatos são avaliados depois de terem estudado em escolas com condições muito desiguais.
A situação provocou a aproximação entre o movimento estudantil e os sindicatos de professores e funcionários públicos. A CGT Educ’action manifestou apoio às mobilizações e defendeu a contratação de profissionais, a redução do número de alunos por sala, melhorias salariais e obras emergenciais nas escolas.
O governo de Emmanuel Macron encontra dificuldades para conter os protestos. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou a preparação de um plano emergencial para enfrentar a falta de professores e outros problemas denunciados pelos estudantes. As organizações que dirigem o movimento consideram insuficientes as promessas feitas até agora.
A crise educacional ocorre quando o governo francês procura restringir os gastos públicos. Os sindicatos denunciam a política de austeridade e exigem recursos para contratação de trabalhadores, recuperação das instalações e ampliação dos serviços educacionais.
O movimento ultrapassou os limites de uma reivindicação estudantil isolada. Professores, funcionários e organizações sindicais passaram a relacionar a falta de recursos para a educação aos problemas mais gerais enfrentados pelos trabalhadores franceses.
A CGT convocou uma nova jornada de manifestações e greve para terça-feira (13). A central orientou seus sindicatos a participar das mobilizações ao lado dos estudantes e a pressionar o governo pela contratação de profissionais e pelo atendimento das reivindicações apresentadas nas escolas.




