Os trabalhadores do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ) iniciaram uma greve por tempo indeterminado na quarta-feira (7). O movimento cobra a reorganização da carreira dos servidores e medidas de valorização profissional. A paralisação foi aprovada pelo Sindicato dos Servidores do Detran-RJ (Sindetran) numa assembleia realizada em 25 de setembro.
Mais de dois terços dos servidores participantes votaram favoravelmente à greve na segunda votação da assembleia. A categoria decidiu recorrer novamente à interrupção das atividades para pressionar a direção do departamento e o governo estadual.
Os problemas não começaram agora. Em abril, os servidores realizaram outra paralisação para exigir o cumprimento de compromissos estabelecidos num dissídio coletivo, o avanço do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e melhorias nas condições de trabalho.
Na ocasião, o sindicato também cobrou o pagamento de valores retroativos referentes ao auxílio-alimentação e denunciou problemas de infraestrutura nas unidades de atendimento. A direção do Detran informou que parte das questões financeiras estava sendo discutida com o governo estadual.
A greve de abril chegou a ser suspensa após negociações judiciais, mas os trabalhadores permaneceram mobilizados. Menos de seis meses depois, a categoria voltou a paralisar as atividades, agora por tempo indeterminado.
O novo movimento afeta serviços realizados diretamente pelos servidores efetivos, principalmente na área de veículos e habilitação. O Detran anunciou procedimentos especiais para os usuários que não conseguirem atendimento durante a greve.
Nos postos de vistoria e nas Unidades de Serviço Veicular, os cidadãos prejudicados poderão retornar ao estabelecimento até cinco dias úteis depois do restabelecimento das atividades, sem precisar marcar outro horário.
Os candidatos à habilitação que tiverem exames práticos cancelados serão remanejados. Já aqueles que não conseguirem realizar os exames eletrônicos precisarão fazer um novo agendamento, mas estarão dispensados do pagamento de outra taxa.
O departamento informou que a emissão de carteiras de identidade não deverá ser afetada porque os postos de identificação civil são operados por trabalhadores terceirizados. Outros serviços executados por empresas contratadas também deverão continuar funcionando.
Essa divisão das atividades permite observar a presença da terceirização dentro do próprio departamento. Enquanto os servidores efetivos lutam pelo atendimento de suas reivindicações, uma parcela das funções permanentes do órgão permanece nas mãos de empresas privadas.
A administração do Detran declarou que respeita os servidores e está aberta ao diálogo. A categoria, entretanto, já havia recorrido a negociações, assembleias e à Justiça nos meses anteriores. A repetição da greve mostra que os compromissos anteriores não foram suficientes para encerrar o conflito.
Para os trabalhadores, a reestruturação da carreira diz respeito à remuneração, às possibilidades de progressão profissional e ao reconhecimento das funções que exercem. As condições materiais das unidades também afetam diretamente o serviço oferecido à população.
A greve é o principal instrumento de pressão coletiva dos servidores diante do governo estadual. Ao interromperem suas atividades, os trabalhadores procuram obrigar a administração a negociar reivindicações que continuaram pendentes mesmo depois das mobilizações anteriores.
O sindicato mantém a paralisação por tempo indeterminado.




