Uma manifestação realizada em Bremen, no norte da Alemanha, durante as comemorações oficiais da reunificação alemã, terminou em confronto com a polícia no sábado (3). Manifestantes denunciaram a militarização do país e a política imperialista do governo alemão.
Segundo reportagem publicada pelo jornal A Nova Democracia, as autoridades mobilizaram um grande contingente policial para acompanhar e cercar participantes do protesto. Durante a manifestação, uma bandeira alemã foi queimada em repúdio à política do Estado.
O ato ocorreu no Dia da Unidade Alemã, feriado que comemora a reunificação do país, realizada em 3 de outubro de 1990, com a incorporação da antiga República Democrática Alemã à República Federal da Alemanha.
Para o governo alemão, a data representa a unidade nacional. Os manifestantes, entretanto, denunciaram o nacionalismo utilizado pelas autoridades para justificar o fortalecimento das Forças Armadas e a participação do país na política militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
O protesto também expressou oposição ao envolvimento alemão nos conflitos internacionais. A Alemanha tornou-se um dos principais fornecedores europeus de armamentos à Ucrânia e ampliou seus compromissos militares com a OTAN.
O fortalecimento do aparato militar vem acompanhado de pressões sobre os gastos públicos e as condições de vida da população. Os trabalhadores alemães enfrentam problemas econômicos enquanto o governo destina recursos cada vez maiores às Forças Armadas.
A repressão em Bremen expõe o caráter político das comemorações oficiais. Enquanto as autoridades apresentam a unidade nacional como um valor que deveria reunir toda a população, a polícia intervém contra aqueles que denunciam a política de guerra do Estado.
A queima da bandeira alemã, realizada durante o protesto, representou uma manifestação de oposição ao nacionalismo promovido pelas autoridades.
A Alemanha possui uma longa história de utilização do nacionalismo para justificar guerras e políticas de expansão militar. A atual corrida armamentista europeia torna ainda mais importante a oposição dos trabalhadores ao fortalecimento do militarismo.
O confronto entre manifestantes e policiais ocorreu justamente quando o governo procurava apresentar as comemorações da reunificação como expressão da unidade política da população alemã.



