Um fato chama atenção logo no início deste caso: os policiais envolvidos na ocorrência não teriam registrado qualquer boletim contra Driss Mrani, apesar de toda a situação ocorrida na noite de 1º de outubro de 2026.
Segundo informação repassada pela Polícia Civil de Alto Paraíso de Goiás, não foi localizado no sistema nenhum boletim de ocorrência registrado em que conste Driss Mrani como vítima ou envolvido relacionado aos fatos daquela noite.
Para Driss mrani, a ausência de um registro policial feito pelos próprios agentes envolvidos levanta uma questão gravíssima: por que os policiais não registraram oficialmente a ocorrência que supostamente teria motivado a abordagem?
A denúncia sustenta que essa omissão não teria sido casual, mas estaria relacionada ao fato de os agentes saberem que haviam cometido uma grave ilegalidade e não desejarem deixar registrado oficialmente o que aconteceu.
Essa questão precisa ser investigada.
Naquela noite, Driss Mrani, refugiado político no Brasil e sob proteção internacional, denuncia ter sido brutalmente agredido por 2 policiais militares dentro de um posto policial, em São Jorge, distrito de Alto Paraíso de Goiás.
O Registro de Atendimento Integrado nº 49022627 registra a denúncia de que Driss teria sido chutado, agredido com pedaços de madeira, algemado e submetido a jatos de água na cabeça.
Segundo seu relato, os policiais ainda o chamaram de “terrorista” e fizeram referências à sua mãe durante a abordagem.
Os policiais apontados como envolvidos são os sargentos Pinheiro e Xavier, da região de São Jorge.
depois de uns minutos chegou na delegacia karla gregorine melo, namorada de Driss, que ficou do lado de fora e viu o Driss jogado no chão algemado com a polícia jogando agua na cabeça dele, e um dos policias estava com uma corda na mão.
Karla tentou registrar um vídeo do que estava acontecendo. Segundo o relato formalizado no boletim, os policiais teriam retirado o celular dela e a intimidaram e revisaram o celular se tivesse alguma gravação dos fatos. O que não houve porque ela estava assustada e nem chegou a fazer. O celular da Karla foi danificado um tempinho antes porque estava no bolso do Driss e os sargentos que bateram nele com uma barra de ferro acertaram nele porque esteve no bolso do Driss. O aparelho de Driss também teria sido quebrado.

DEPOIS DA AGRESSÃO, DRISS PRECISOU DE ATENDIMENTO MÉDICO
Após a ocorrência, Driss Mrani foi levado de ambulância da delegacia para o Hospital de Alto Paraíso todo mobilizado e com máscara de oxigênio. Que infelizmente a ambulância tinha para 10 minutos de oxigênio só, e os bombeiros acalmavam o Driss para ajustar a respiração ate chegar no hospital.
Karla Gregorine Melo acompanhou Driss durante o deslocamento e também durante o atendimento hospitalar, permanecendo ao lado do namorado enquanto ele recebia assistência médica.
O atendimento médico posterior à ocorrência é mais um elemento que precisa ser incorporado à investigação. Porque a medica deu a alta a Driss sem pedir raio x sabendo que ele recebeu um golpe com barra de ferro no peito e ainda com hematoma bem em cima da costela, coisa que o doutor Aliyson mikael solicitou dia 3 de outubro após o Driss acordar com dificuldade para respirar e se apresentar no hospital. É fundamental que sejam preservados e analisados os registros médicos, exames, prontuários e demais documentos relacionados ao atendimento de Driss.
O próprio boletim de ocorrência feito na policia civil registra que Driss apresentou imagens das lesões que atribui às agressões sofridas.

QUEM É DRISS MRANI?
Driss Mrani é refugiado político no Brasil, sob proteção internacional, e atua como liderança do Movimento Progressista Marroquino, organização legalmente registrada no Brasil.
Sua trajetória política está ligada à oposição à monarquia marroquina e à denúncia do caráter autoritário do regime existente no Marrocos.
Driss deixou seu país porque, segundo sua trajetória política e sua condição de proteção internacional, temia perseguição política, prisão e tortura.
E é justamente por isso que a denúncia ocorrida agora no Brasil assume uma dimensão ainda muito mais grave.
Ele teria deixado o Marrocos buscando proteção contra perseguições e violência política e agora denuncia ter sido vítima de violência praticada por agentes públicos brasileiros.
O Brasil deveria ser território de proteção, não um lugar onde um refugiado político tenha medo da própria polícia.
KARLA TAMBÉM FOI IMPEDIDA DE REGISTRAR O QUE ACONTECIA
A presença de Karla Gregorine Melo torna a investigação ainda mais importante.
Ela não é apenas a companheira de Driss. Ela é testemunha da ocorrência.
O próprio registro policial identifica Karla como testemunha e vítima e registra que ela tentou filmar a ação policial e foi impedida e intimidada.
Segundo o relato, seu celular teria sido tomado pelos policiais que mexeram nele para terem certeza que ela não gravou como que o namorado foi tratado.
Se uma testemunha estava tentando registrar o trabalho de 2 funcionários públicos o que egarantido pela lei é foi tratada daquele jeito, indispensável esclarecer por que impediram a gravação, quem tomou o aparelho, e quem o danificou.
UMA OCORRÊNCIA SEM O REGISTRO DOS POLICIAIS
O silêncio documental dos agentes envolvidos é um dos pontos que precisam ser esclarecidos.
O B O nº 49022627, emitido pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás em 2 de outubro de 2026, registra a ocorrência apresentada por Driss como lesão corporal dolosa consumada, tendo-o como vítima o comunicante.
Mas, segundo a informação obtida junto à Polícia Civil de Alto Paraíso, não foi localizado no sistema um registro policial feito pelos agentes envolvendo Driss Mrani referente à ocorrência.
Por que não?
Se os policiais consideravam que haviam agido dentro da legalidade, por que não deixaram registrada sua própria versão dos fatos?
Essa é uma das perguntas que uma investigação independente precisa responder.
POR QUE UMA INVESTIGAÇÃO FEDERAL É NECESSÁRIA?
A condição de refugiado político e de pessoa sob proteção internacional acrescenta ao caso uma dimensão que ultrapassa uma ocorrência policial comum.
Se um cidadão estrangeiro protegido internacionalmente denuncia violência praticada por agentes públicos, o Estado brasileiro precisa demonstrar que a denúncia será investigada com absoluta independência.
Por isso, é necessário avaliar o acionamento das autoridades federais competentes, além dos órgãos estaduais, para que o caso não fique limitado exclusivamente à estrutura responsável pelos próprios agentes denunciados.
É preciso investigar a atuação dos sargentos Pinheiro e Xavier, ouvir Karla Gregorine Melo, identificar todos os policiais presentes, preservar eventuais imagens de câmeras, , documentar as lesões e colher os depoimentos de todas as testemunhas.
Também é fundamental esclarecer por que não existe, segundo a consulta informada pela Polícia Civil, um registro policial feito pelos agentes envolvendo Driss Mrani.
O BRASIL PRECISA PROVAR QUE PROTEGE QUEM BUSCA PROTEÇÃO
Driss deixou o Marrocos para escapar, segundo sua trajetória política e sua condição de refugiado, do medo de perseguição, prisão e tortura.
A denúncia agora apresentada no Brasil produz uma pergunta inevitável:
Que tipo de proteção é oferecida a um refugiado político se ele pode denunciar ter sido torturado por agentes do próprio Estado que deveria protegê-lo?
A esquerda brasileira, os movimentos de direitos humanos, as organizações de defesa dos refugiados e todas as forças democráticas precisam acompanhar esse caso.
Não se pode aceitar que uma denúncia dessa gravidade desapareça em meio à burocracia policial.
Se houve abuso de autoridade, violência ou tortura, os responsáveis precisam responder. Se houve tentativa de impedir uma testemunha de registrar os fatos, isso também precisa ser investigado. Se houve deliberada omissão no registro da ocorrência pelos agentes envolvidos, isso igualmente precisa ser esclarecido.





