O Partido da Causa Operária colocou entre os primeiros pontos de seu programa para as eleições de 2026 a reposição integral das perdas salariais e um aumento emergencial de 50% de todos os salários e aposentadorias. A proposta vem acompanhada da escala móvel dos salários, de um salário mínimo vital de pelo menos R$8.000, do Bolsa Família de pelo menos um salário mínimo e do cancelamento das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro.
Reposição das perdas e aumento de 50% são duas reivindicações diferentes. A primeira procura recuperar o poder de compra perdido com a inflação e com reajustes inferiores ao aumento do custo de vida. Depois dessa recomposição, o PCO defende elevar em 50% o valor dos salários e aposentadorias.
A reivindicação não se limita ao salário mínimo. O aumento emergencial abrangeria todos os salários, assim como os benefícios dos aposentados. O Partido também defende que as perdas acumuladas ao longo dos anos sejam integralmente restituídas.
O primeiro ponto do programa econômico apresentado pelo PCO é resumido pela palavra de ordem “parar o roubo dos salários”. O Partido rejeita a política de pequenos reajustes anuais que não impede a redução contínua do poder de compra dos trabalhadores.
Para impedir que um aumento obtido em determinado momento seja novamente consumido pela inflação, o PCO propõe ainda a escala móvel dos salários. Pela proposta, sempre que o custo de vida subir 3%, os salários deverão ser reajustados automaticamente na mesma proporção.
A medida procura impedir que a elevação dos preços de alimentos, aluguéis, transporte, energia e outros gastos básicos corroa os salários até a negociação seguinte. A escala móvel já apareceu também em campanhas sindicais apoiadas pelo Partido, como entre os bancários do Distrito Federal, onde foi defendido o reajuste automático a cada 3% de inflação acumulada.
Outro ponto do programa é o salário mínimo vital. O PCO defende atualmente um piso de pelo menos R$8.000, estabelecido a partir das necessidades de uma família trabalhadora.
A proposta toma como referência os gastos com alimentação, moradia, transporte, saúde, educação, lazer e demais despesas familiares, em vez de estabelecer previamente quanto os trabalhadores podem receber de acordo com os limites fiscais definidos pelo governo.
Os aposentados estão expressamente incluídos na política salarial defendida pelo Partido. Além do aumento emergencial de 50%, o PCO reivindica a reposição das perdas sofridas pelos benefícios previdenciários. A proposta é unificar a luta dos aposentados com a dos trabalhadores em atividade, uma vez que ambos têm sua renda atingida pela elevação do custo de vida.
O Bolsa Família também faz parte desse conjunto de reivindicações. O Partido defende que nenhum beneficiário receba menos de um salário mínimo. A medida procura estabelecer uma renda mínima para as famílias que não dispõem de recursos suficientes, sem substituir a luta pelo aumento geral dos salários.
A política salarial apresentada pelo PCO inclui ainda o cancelamento das dívidas dos trabalhadores com bancos e financeiras. Para o Partido, a elevação da renda perde parte de seus efeitos quando uma parcela significativa do salário continua destinada ao pagamento de juros de cartões, empréstimos e financiamentos.
Essas propostas são apresentadas em conjunto: reposição integral das perdas salariais, aumento emergencial de 50%, escala móvel, salário mínimo vital, aumento das aposentadorias, Bolsa Família de pelo menos um salário mínimo e cancelamento das dívidas dos trabalhadores.
Durante a campanha eleitoral, o PCO tem utilizado suas candidaturas para divulgar esse programa. Rui Costa Pimenta, presidente do PCO e candidato à Presidência, afirmou no início da pré-campanha que era necessário “delimitar claramente o programa revolucionário, o programa socialista” diante das demais forças políticas.
A posição também foi apresentada por candidatos do Partido nos estados. Henrique Áreas, candidato ao governo de Minas Gerais, afirmou que a eleição permite apresentar as posições do PCO a um público maior, mas ressaltou: “O PCO não é um Partido de eleição. Nós não participamos só na eleição”.
A campanha eleitoral é utilizada, dessa maneira, para levar as reivindicações salariais a trabalhadores que normalmente não seriam alcançados pela atividade cotidiana do Partido. Militantes e candidatos vêm distribuindo materiais em locais de trabalho, ruas, estações, terminais, universidades e bairros populares.
O aumento emergencial de 50% não aparece, portanto, isolado no programa apresentado pelo PCO. Ele é combinado com a restituição das perdas anteriores e com mecanismos destinados a impedir que novos aumentos de preços voltem a reduzir os salários e aposentadorias.



