Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, encerrou neste domingo (27) as falas do ato nacional do PCO na Praça Oswaldo Cruz, em São Paulo, com a defesa da revolução e de um governo operário. Diante de mais de 2 mil pessoas, apresentou o programa do Partido para a última semana de campanha: salário mínimo de, pelo menos, R$8 mil, fim do pagamento da dívida pública, estatização dos bancos e recuperação das estatais privatizadas sob administração direta dos trabalhadores. Pimenta começou pela cor que tomava a praça, nas camisetas, nas bandeiras e nas faixas.
“O único partido vermelho dessa eleição chama-se Partido da Causa Operária. O vermelho não é um enfeite, o vermelho é uma tradição da luta do movimento operário internacional, da luta dos trabalhadores em todos os países contra o capital, contra a burguesia. E nós somos o partido da luta dos trabalhadores, da luta revolucionária, e por isso nós somos o partido vermelho das eleições.”
Estatais sob controle dos trabalhadores
Pimenta rejeitou a propaganda do governo sobre a economia. Afirmou que o Brasil está perdendo sua indústria, que o desemprego é gigantesco, que parte da população depende do Bolsa Família por falta de emprego e que o orçamento federal é consumido pela dívida pública paga aos bancos. Lembrou que a Petrobrás foi construída pela luta dos trabalhadores e hoje serve aos especuladores que compraram suas ações.
“Nós precisamos de uma mudança radical do país. Não pagar a dívida pública. Estatizar os bancos. Recuperar todas as empresas estatais privatizadas: Petrobrás, Vale do Rio Doce, as siderúrgicas, as empresas de eletricidade, todas. Mas não basta recuperar. É preciso que essas empresas sejam colocadas sob a administração direta dos trabalhadores.”
O candidato defendeu ainda a estatização da saúde, da educação e de todo o transporte, e o fim do imposto sobre o salário. Segundo ele, o trabalhador brasileiro paga 40% de sua renda em impostos, e o Estado capitalista deve ser sustentado pelos próprios capitalistas.
Salário mínimo de R$8 mil
Pimenta afirmou que, nas últimas décadas, com o PT no governo a maior parte do tempo, os trabalhadores perderam conquistas obtidas em mais de 100 anos de luta: o limite da jornada desapareceu e a terceirização entrou na lei. Defendeu a revogação de toda a legislação antitrabalhador e o restabelecimento dos direitos que vigoravam na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) quando a Constituição de 1988 foi aprovada. Para o candidato, o salário mínimo é a questão central do programa, e sua elevação é a tarefa fundamental de sindicatos livres da regulamentação imposta desde o Estado Novo.
“Nós queremos um salário mínimo vital, que atenda todas as necessidades básicas de uma família trabalhadora. […] Nós queremos um salário mínimo de, pelo menos, R$ 8 mil. E que não venham dizer que esse salário mínimo é impossível de pagar, porque ele é possível de pagar.”
O regime esgotado
Pimenta retomou a resolução política aprovada no Congresso do PCO neste ano, que caracterizou o regime político como esgotado, e afirmou que a campanha confirmou esse diagnóstico.
“E nas eleições nós vimos, da maneira mais obscena possível, o esgotamento do regime. Nós vimos a crise no STF, com juízes que mandam e desmandam no Brasil protegendo uma pessoa que publicamente está relacionada com propina de 200 milhões de reais de um banqueiro corrupto. A eleição, como momento democrático do país, é uma farsa.”
O candidato afirmou que nem o PT nem o Partido Liberal (PL), da extrema direita, têm solução para os problemas nacionais, e que os banqueiros vão impor um duro ajuste fiscal à população trabalhadora qualquer que seja o vencedor. Em seguida, denunciou a campanha petista.
“Eu quero denunciar aqui a conduta do PT, que, no desespero de perder para um candidato sem nenhum carisma, sem nenhuma popularidade própria, que é o Flávio Bolsonaro, decidiu [por] uma política de compra de votos na reta final da eleição. Essa atitude do PT é uma violação dos direitos de todo o povo brasileiro. Ninguém vai fazer um governo a favor da população com esse tipo de método.”
‘1.000% com o Hamas’
Pimenta pediu à militância uma última semana de campanha vigorosa e definiu o objetivo da participação do Partido na eleição: “O nosso objetivo não é o voto”. Antes de encerrar, lembrou a luta dos palestinos contra a ocupação sionista.
“Nosso partido é o único partido do país que tem a coragem de falar que nós estamos 1.000% com o Hamas, 1.000% com a resistência. O monstro sionista só pode ser derrotado de armas na mão.”
O candidato encerrou a fala com a palavra de ordem que estava escrita nas faixas do ato.
“Nós queremos a revolução. Queremos a revolução para criar um governo operário, e nós queremos o governo operário para expropriar a burguesia e caminhar para o comunismo.”





