Eleições parlamentares

Vitória eleitoral fortalece regime russo contra a guerra imperialista

Rússia Unida cresce após cinco anos de guerra e sanções, enquanto a OTAN acelera o rearmamento europeu e amplia a pressão militar contra Moscou

O Rússia Unida ampliou sua maioria na Duma de Estado nas eleições realizadas no último final de semana. O partido que serve de principal sustentação parlamentar ao governo de Vladimir Putin recebeu cerca de 58% dos votos nas listas partidárias, contra 49,8% em 2021. Com 355 das 450 cadeiras, manteve uma maioria constitucional no Parlamento russo.

O crescimento ocorreu na primeira eleição parlamentar realizada desde o início da atual etapa da guerra na Ucrânia. Durante esses cinco anos, a Rússia passou por sanções econômicas em grande escala, pela ruptura de boa parte de suas antigas relações com os países ocidentais e por uma reorganização de seu comércio exterior. Nada disso provocou uma queda eleitoral do partido governista. Sua votação, ao contrário, cresceu aproximadamente oito pontos percentuais.

Esse é o dado principal destacado pelo editor de política do Kommersant, Dmitri Kamixev, em artigo reproduzido pela RT. O jornalista chama a atenção para o fato de que, apesar das enormes transformações ocorridas desde a eleição de 2021, a distribuição geral das forças políticas russas mudou relativamente pouco. O Partido Comunista continuou em segundo lugar, enquanto o Partido Liberal-Democrata, o Novo Povo e o Rússia Justa permaneceram representados.

A continuidade, porém, veio acompanhada de uma mudança importante: o Rússia Unida ficou maior. A participação eleitoral também aumentou. Segundo os resultados divulgados pela Comissão Eleitoral Central, compareceram às urnas 59,3% dos eleitores, a maior participação numa eleição para a Duma em uma década.

Esse resultado precisa ser relacionado ao desenvolvimento político da Rússia desde a chegada de Putin ao poder. Ao longo dos últimos 25 anos, o Estado russo entrou progressivamente em choque com as potências que dominaram após a queda do stalinismo. Esse conflito tornou-se muito mais agudo depois de 2014 e passou para um novo patamar com a entrada das tropas russas na Ucrânia em fevereiro de 2022.

O golpe de 2014 foi um ponto decisivo da ofensiva imperialista contra o país. A aproximação política e militar da Ucrânia com a OTAN colocou essa pressão diretamente sobre as fronteiras russas, além de abrir uma guerra no Donbass. A intervenção de 2022 foi uma resposta russa a um processo que já se desenvolvia havia oito anos.

A evolução da guerra não reduziu o confronto entre Moscou e as potências imperialistas. O que se vê agora é um acelerado programa de rearmamento europeu. Na reunião de Haia, em 2025, os países da OTAN assumiram o compromisso de destinar até 5% de seus respectivos produtos internos brutos a gastos militares e de segurança até 2035. Pelo menos 3,5% deverão ser destinados às necessidades militares propriamente ditas. A própria organização informou que os aliados europeus e o Canadá aumentaram seus gastos reais de defesa em quase 20% apenas em 2025.

A reunião da OTAN em Ancara, em julho deste ano, mostrou que esse programa já começou a sair do papel. A declaração aprovada pelos países membros classificou a Rússia como uma ameaça de longo prazo à segurança euro-atlântica e anunciou mais de US$50 bilhões em novas aquisições militares. O documento prevê expansão da capacidade de ataques de precisão, defesa aérea e antimísseis, sistemas não tripulados, inteligência e indústria bélica. Os aliados também comprometeram €70 bilhões em equipamentos, assistência e treinamento militar para a Ucrânia em 2026.

O próprio secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, declarou que a prioridade agora deixou de ser apenas estabelecer metas e passou a ser transformar os novos orçamentos em armamentos, capacidade industrial e forças militares. Segundo a organização, os aliados europeus e o Canadá já dedicam, em conjunto, cerca de 4% de seus produtos internos brutos a despesas classificadas como defesa e segurança.

A Rússia acompanha esse movimento diante de uma guerra que já ultrapassou as fronteiras ucranianas no terreno econômico, político e militar. O governo russo demonstra que a estabilidade interna está relacionada com a capacidade do país de suportar essa pressão. Putin tratou a própria eleição parlamentar como uma demonstração de unidade nacional durante a guerra.

O artigo publicado pela RT destaca justamente o contraste entre a intensidade da crise externa e a pequena alteração do sistema partidário russo. Guerra, sanções e profundas mudanças econômicas poderiam ter provocado forte instabilidade eleitoral. O resultado foi diferente: os principais partidos conservaram suas posições e, dentro desse quadro, o Rússia Unida aumentou sensivelmente sua vantagem.

Ao contrário do que reza a propaganda da imprensa imperialista, não existe nenhuma grande crise política, econômica ou social na Rússia. Além disso, a estabilidade demonstrada pelas eleições parlamentares comprova que a Operação Militar Especial está sendo conduzida de forma controlada pelo exército russo, avançando aos poucos para derrotar o regime nazista de Quieve, um satélite e bucha de canhão da OTAN.

O fenômeno eleitoral expressa ainda a tentativa da Rússia de fechar suas fileiras diante de um conflito que tende a se agravar. Quanto maior a pressão exercida pela OTAN, maior é a preocupação do regime político em impedir que agentes do imperialismo dentro da Rússia consigam obter maior influência para enfraquecer o Estado russo, e, nisso Putin tem o apoio da maioria da população.

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