Nove dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal têm mais avaliações negativas que positivas. A pesquisa Atlas/Estadão, divulgada nesta terça-feira (22), encontrou uma única exceção: Cármen Lúcia, que tem sido protegida pelo cartel da imprensa capitalista. O resultado atinge ministros indicados por diferentes governos. A crise do STF aberta pelo escândalo de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro se expandiu para toda a Corte Suprema.
Dias Toffoli tem a pior avaliação: 79% de opiniões negativas e apenas 5% positivas. Nunes Marques registra 63% de negativas e 12% positivas. Gilmar Mendes e Moraes têm, cada um, 59% de negativas; as positivas são, respectivamente, 26% e 36%. Para o presidente da Corte, Edson Fachin, os números são 54% e 22%. André Mendonça, que revelou a podridão da relação de Moraes com o Banco Master, tem 48% de negativas e 47% positivas. A pesquisa foi feita de 17 a 21 de setembro, após a sessão em que o STF discutiu se abriria uma investigação contra Moraes.
Os números indicam algo mais grave: a autoridade dos ministros está sendo contestada pela população.
A Quaest constatou que 56% dos entrevistados não confiam na camarilha judicial todo-poderosa, contra 46% em agosto. Os que dizem confiar muito caíram de 18% para 9%; outros 30% responderam que confiam pouco.
A desconfiança chega à própria base lulista: 30% dos que se identificam com Lula dizem não confiar no STF. Nesse grupo, os que confiam muito na Corte caíram de 41% em agosto para 23% em setembro. Entre os bolsonaristas, 69% não confiam. Lula, o PT e a maior parte da esquerda justificam as arbitrariedades do tribunal como defesa da democracia, mas nem seus apoiadores estão convencidos dessa farsa. A rejeição à quadrilha que tomou conta do país sem receber um único voto vai muito além do bolsonarismo.
O Datafolha perguntou diretamente sobre o poder dos ministros. Para 76% dos brasileiros, ele é excessivo; 77% dizem que a população confia menos no tribunal hoje do que no passado.
O STF chegou a essa posição ao longo de mais de 15 anos de intervenções na política nacional. No mensalão e na Lava Jato, respaldou uma ofensiva judicial que atingiu o PT e atropelou garantias dos acusados. Nos processos contra bolsonaristas, inclusive os relativos ao 8 de janeiro, os partidos da esquerda passaram a aplaudir medidas que antes denunciavam. A liberdade de expressão e de imprensa, o direito de organização e as garantias de defesa não podem mudar conforme o réu.
O escândalo sobre o Banco Master acrescentou outro motivo à revolta. Enquanto os ministros sócios de banqueiros impõem uma ditadura contra a população, os seus sócios (não apenas Vorcaro) sugam todas as riquezas do País, protegidos pela quadrilha do STF.
Nenhum ministro do STF foi eleito. Ainda assim, decidem sobre eleições, imprensa, partidos e direitos de milhões de pessoas. A população não pode destituí-los, por mais graves que sejam as arbitrariedades. Por isso, a proposta do Partido da Causa Operária não é substituir um ministro por outro indicado pelos mesmos burocratas e banqueiros. É dissolver o STF e reformular totalmente o Judiciário: todos os juízes devem ser eleitos pela população e responder perante ela por seus atos, tendo o mandato revogável e recebendo o salário de um trabalhador médio.





