Trinta e um anos depois da Batalha de Santa Elina, camponeses continuam vivendo e produzindo nas terras da antiga fazenda, em Corumbiara, Rondônia. Os moradores relatam que a conquista da terra não encerrou os conflitos na região e acusam grandes proprietários e órgãos do Estado de manter pressões sobre as famílias.
Em agosto de 1995, centenas de famílias ocupavam a Fazenda Santa Elina quando uma operação de despejo terminou em mortes, feridos, prisões e denúncias de tortura. Entre os mortos estava Vanessa, de sete anos. Sobreviventes ainda contestam o balanço oficial da repressão e mantêm no local um memorial às vítimas.
As denúncias atuais incluem o sobrevoo de drones e a aplicação de produtos sobre plantações. Os camponeses ouvidos por A Nova Democracia atribuem as ações a setores interessados em expulsá-los da área. A reportagem não apresenta conclusão de investigação oficial que identifique os responsáveis, razão pela qual a acusação deve ser mantida como denúncia dos moradores.
Outra queixa se dirige ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. As famílias afirmam que processos de regularização continuam sem solução depois de anos de espera e acusam a direção regional do órgão de abandono.
A memória da violência de 1995 permanece presente entre os moradores. Um dos camponeses entrevistados, que carregou Vanessa depois de a menina ser baleada, recordou a tentativa de retirá-la do local durante a operação: “A criança não deve nada a ninguém”.
Os moradores e organizações camponesas anunciaram novas mobilizações em Porto Velho para cobrar a regularização das áreas e respostas do Incra.





