Eleições 2026

UP e a hipocrisia dos censuradores mirins

Organização identitária chora porque não é convidada para debates televisivos, mas DCE que ela controla impediu candidato do PCO de participar de debate que organizou

A Unidade Popular, ou Unidade Policial (UP) promoveu uma campanha para colocar sua candidata à Presidência, Samara Martins, nos debates eleitorais. Em 23 de agosto, militantes do partido foram até a sede da Band, em São Paulo, protestar contra a ausência da candidata no primeiro debate presidencial da emissora.

A UP reclamava que Samara havia sido deixada de fora enquanto a Band convidara outros candidatos cuja participação também não era obrigatória pela legislação eleitoral, como Renan Santos, do Missão. O protesto apresentava a ausência da candidata como uma exclusão política e exigia que ela pudesse participar do debate.

A manifestação, obviamente é legítima. Mas foi curioso o silêncio da UP em relação às outras candidaturas, inclusive da esquerda que faz parte de seu clubinho, como PSTU e PCB (para não dizer o PCO). À época, um membro da UP justificou, nas redes sociais, a mesquinhez de sua política, dizendo que os outros partidos têm seus próprios meios de protestar contra a exclusão e que, portanto, não é papel da UP denunciar a sabotagem contra outros partidos.

E a UP se diz uma organização marxista. Uma das premissas do marxismo e do socialismo é justamente a solidariedade de classe. “Trabalhadores do mundo, uni-vos!”, exorta o Manifesto Comunista. Para a UP, o lema correto deveria ser “cada um por si”.

Menos de um mês depois, a UP vai ainda mais fundo em sua política absurdamente oportunista, exclusivista e antidemocrática.

Bruno Pedreiro, candidato do PCO ao governo de Santa Catarina, denunciou que não foi convidado para o debate entre candidatos organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), marcado para primeiro de outubro. Segundo Bruno, ele nem sequer sabia da atividade e tomou conhecimento depois que um estudante lhe enviou a publicação do evento.

“Eu nem estava sabendo que teria debate. Aí falei: vou lá agora perguntar isso”, declarou o candidato ao Diário Causa Operária.

O movimento Correnteza, que domina o DCE da UFSC, é ligado à UP. O jornal universitário Expressões, da própria UFSC, definiu o Correnteza como “braço jovem do Partido Unidade Popular” ao noticiar a disputa pelo DCE neste ano.

Ainda mais surpreendente é que candidatos do PL e de outros partidos foram chamados pela UP, enquanto o PCO ficou de fora. Para o candidato do PCO, a situação é ainda mais significativa porque uma entidade dirigida por setores que se apresentam como de esquerda preferiu abrir espaço para a direita a convidar um trabalhador da construção civil que disputa o governo estadual.

“O pessoal da esquerda revolucionária que comanda o DCE prefere discutir política com o cara do PL do que com o operário do PCO”, afirmou Bruno.

A UP, assim, faz com o candidato do PCO exatamente o que denunciou que a Band fez com ela.

Depois da denúncia, Bruno pediu que seus apoiadores e do PCO cobrassem sua participação na publicação do DCE. Segundo o relato do candidato ao DCO, os comentários passaram de uma centena. Os administradores da página do DCE da UP fecharam e posteriormente reabriram os comentários. Depois, apagaram a publicação.

O Diário Causa Operária ainda que procurou o DCE pelo Instagram e não recebeu resposta até a publicação da matéria.

Isso só revela que a campanha feita diante da Band estava concentrada na promoção eleitoral de Samara, e não na defesa de um critério que assegurasse espaço às demais candidaturas. A UP não defende a liberdade dos eleitores de conhecerem todos os candidatos. Quando ela tem o poder, ela faz precisamente o que os monopólios de imprensa da burguesia também fazem: censura candidaturas de esquerda.

Bruno Pedreiro, como indica seu apelido, é um trabalhador da construção civil. É o único trabalhador a concorrer ao governo de Santa Catarina. A UP, que se apresenta como um partido da classe trabalhadora, proibiu sumariamente esse candidato de participar de um debate organizado por ela, enquanto convidou um candidato bolsonarista.

É uma pena para a UP que ela só tenha poder de censura em espaços reduzidos como um DCE. Pela infantilidade da política levada a cabo por essa organização identitária, que coloca no mesmo balaio o imperialismo e os países oprimidos por ele e que defende a repressão do Estado burguês, caberia melhor à UP a administração de um diretório de fedelhos em uma creche. A UP tenta imitar os monopólios da burguesia em sua censura, mas são apenas censuradores mirins, sem poder real algum.

Bruno, por sua vez, afirmou que continuará pressionando para participar do encontro. “Ainda tem chão. Vamos ver se eles vão rever isso e convidar o único trabalhador de Santa Catarina concorrendo ao governo”, declarou.

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