A Turquia aumentou de maneira significativa suas compras de petróleo e derivados dos Estados Unidos enquanto reduziu as importações de petróleo russo.
Dados alfandegários turcos mostram que, em junho, os Estados Unidos ultrapassaram a Rússia como principal fornecedor de petróleo bruto do país.
Naquele mês, aproximadamente 570 mil toneladas chegaram dos Estados Unidos, contra 425 mil toneladas provenientes da Rússia.
Desde agosto, a Turquia também passou a importar volumes recordes de diesel norte-americano e indiano. Segundo a empresa de análise Kpler, foram mais de 90 mil barris diários dos Estados Unidos e mais de 120 mil da Índia.
A mudança não decorre simplesmente de uma decisão comercial.
O governo Donald Trump pressionou diretamente Ancara para reduzir suas compras de energia russa. O tema foi levantado durante a visita do presidente turco Recep Tayyip Erdogan à Casa Branca, em setembro de 2025.
Ao mesmo tempo, ataques ucranianos contra a infraestrutura energética da Rússia atingiram refinarias e levaram Moscou a restringir as exportações de diesel.
A guerra promovida pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã provocou uma terceira perturbação. O conflito atingiu o abastecimento destinado às refinarias turcas a partir do Iraque, Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
O resultado é uma reorganização forçada das rotas energéticas que beneficia diretamente os fornecedores norte-americanos.
A Turquia, entretanto, não rompeu sua relação energética com a Rússia.
Em 2024, 41% do gás importado pelo país veio da Rússia. Ancara ainda depende de contratos de longo prazo e, em dezembro, prorrogou por mais um ano um acordo de fornecimento de gás russo.
O gasoduto TurkStream também transformou a Turquia em uma importante rota para o gás russo destinado ao continente europeu.
A mudança ocorre principalmente no petróleo e no diesel, áreas nas quais a Turquia possui mais facilidade para substituir fornecedores.
O episódio mostra um dos objetivos econômicos da política de guerra e sanções dos Estados Unidos.
Washington pressiona aliados a abandonar produtos russos enquanto os próprios exportadores norte-americanos ocupam o espaço deixado aberto.
A guerra destrói infraestrutura, interrompe rotas comerciais, encarece a energia para a população e, ao mesmo tempo, abre novos negócios para o capital norte-americano.
A Turquia procura preservar relações com Rússia, Estados Unidos e outros fornecedores, mas a pressão exercida por Washington revela os limites dessa política.
Por trás do discurso de “segurança energética”, os Estados Unidos utilizam sua força política e militar para reorganizar o comércio internacional também em benefício de suas próprias empresas.


