Na nona rodada de negociação entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e o Comando de Negociação dos Bancários, os banqueiros oferecem uma migalha para a categoria, de 0,6% de “ganho real”, e, de pronto, mais uma vez, a burocracia sindical aceita uma migalha caída da mesa dos patrões.
De novo, a história se repete nessa Campanha Salarial dos bancários, com o tradicional golpe dos banqueiros que, no primeiro momento das negociações, não apresentam nada e até ameaçam com retiradas de conquistas, para, logo em seguida, apresentarem uma proposta ultrarrebaixada, como na Campanha Salarial passada.
Segundo a burocracia sindical, por meio do Comando Nacional dos Bancários, “após um mês e meio de exaustivas negociações, o Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários conseguiu derrotar (grifo nosso) a tentativa dos bancos de impor reajuste abaixo da inflação, que resultaria em perdas reais aos bancários, nos salários e em todas as verbas”. (Site Contraf/CUT, 29/08/2026)
A grande “vitória” a que a burocracia se refere é a migalha de reajuste jogada da mesa de negociações dos banqueiros: 0,6% de “ganho real” além da inflação oficial do governo e, pior, para os próximos dois anos, por meio dos famigerados acordos bianuais. Proposta essa que deverá passar pelo crivo da categoria em assembleias virtuais para ser aprovada.
Com esse “reajuste”, a categoria, cujo atual piso salarial do escriturário é de R$ 3.378,82, passará, com o acréscimo do INPC + 0,6%, para R$ 3.537,62, ou seja, um reajuste de apenas R$ 158,86, uma verdadeira fortuna.
Um dos argumentos utilizados pela burocracia sindical na tentativa de esconder o arrocho salarial que os bancários sofrem e defender essa migalha de reajuste dos banqueiros é o de que a categoria acumula, desde o ano de 2004, um reajuste total de 286,5%, sendo que 25% desse total seria do tal “ganho real”, e que, no piso da categoria, o “ganho real” acumulado será de 47,1%.
Não precisa ser muito esperto para perceber que a proposta dos banqueiros significa, na verdade, um maior arrocho salarial, que se estenderá pelos próximos dois anos.
Primeiramente, os tais 0,6% de ganho real estão muito longe do reivindicado pela categoria, que é de 5% e que, venhamos e convenhamos, é uma proposta muito abaixo das verdadeiras necessidades dos bancários. Uma outra questão diz respeito ao piso da categoria. Segundo pesquisa do Dieese, para que uma família de trabalhadores possa ter as suas mínimas necessidades básicas garantidas, essa família deve ter um salário de R$ 8 mil, valor esse que, inclusive, consta da pauta de reivindicações e foi completamente ignorado pelos dirigentes sindicais.
Além disso, sempre é bom recordar que, em 2004, a categoria bancária recebia um pouco mais que três salários mínimos e, nos dias atuais, com esse fabuloso reajuste dado pelos banqueiros, os bancários receberão um pouco mais de dois salários mínimos. E aí fica a pergunta: que reajuste acumulado é esse defendido pelos dirigentes sindicais que os bancários não veem e não sentem!? Na verdade, quem está adorando essa proposta são os banqueiros, que lucram os tubos em cima do arrocho salarial dos trabalhadores.
É evidente que a proposta não atende minimamente aos interesses da categoria bancária. Serão mais dois anos em que os bancários terão os seus salários arrochados, com a continuidade das demissões em massa, o constante adoecimento para alcançar as metas, o aumento do endividamento no cartão de crédito, cheque especial, agiotas, terceirização etc.
É preciso organizar um forte movimento nacional de oposição a toda essa política de derrotas que vem se aprofundando no interior dos sindicatos a cada campanha salarial. Não é possível conquistar as reivindicações da categoria sem ultrapassar essa política de apoio aos banqueiros.





