Governo federal

Após Múcio, Durigan também abaixa as calças para Trump

Ministro da Fazenda reage ao tarifaço norte-americano pregando moderação e consulta aos capitalistas antes de qualquer medida em defesa da economia nacional

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, não quer defender a economia nacional diante das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos contra o Brasil. Mesmo com o governo de americano atingindo diretamente as exportações brasileiras, Durigan afirmou que, antes de qualquer resposta, o governo pretende consultar empresários brasileiros e estrangeiros sobre as consequências de uma eventual retaliação.

Na quinta-feira (13), o governo brasileiro iniciou formalmente o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em 2025. A iniciativa ocorreu depois de Washington impor uma tarifa adicional de 25% especificamente contra produtos brasileiros, além de outra taxa de 12,5% aplicada também a mercadorias de outros países.

A abertura do procedimento, porém, está longe de significar uma resposta à altura do ataque norte-americano. Durigan tratou imediatamente de destacar que qualquer medida será estudada com cuidado e que o governo pretende ouvir os setores empresariais antes de decidir o que fazer. Claro que a população e os trabalhadores jamais serão ouvidos.

É uma posição reveladora. Trump taxa produtos brasileiros e prejudica diretamente a economia nacional; Durigan, em vez de anunciar alguma reação, preocupa-se primeiro com o que pensam os capitalistas atingidos por uma possível resposta brasileira, o que significa que nada será feito para proteger a economia nacional.

O ministro da Fazenda cumpre, na economia, um papel semelhante ao de José Múcio na Defesa. Múcio ficou marcado por sua política de submissão diante dos Estados Unidos no terreno militar. Durigan faz o mesmo diante das pressões econômicas de Washington. Cada um em sua área, os dois transformam a opressão imperialista em desculpa para entregar a soberania do País.

Não é a primeira vez que os Estados Unidos adotam medidas que afetam a economia brasileira sem encontrar uma reação por parte do governo. A pressão norte-americana aumenta, e o governo Lula continua preocupado em não contrariar o imperialismo nem a burguesia nacional vendida.

Uma política de defesa dos interesses nacionais deveria partir do princípio oposto. Uma política minimamente nacionalista pressupõe que o tarifaço deveria ser enfrentado com medidas que diminuíssem a dependência do Brasil em relação ao imperialismo, fortalecessem a produção interna e abrissem novos mercados para os produtos brasileiros. O País tem condições de aprofundar suas relações comerciais e políticas com a América Latina e ampliar ainda mais suas relações com os países asiáticos e africanos, em vez de ficar permanentemente submetido às chantagens econômicas dos Estados Unidos.

Isso também significa enfrentar os grandes interesses financeiros dentro do próprio País. Não há independência econômica possível enquanto uma parcela enorme dos recursos públicos é entregue aos bancos por meio dos juros e do pagamento da dívida. Os recursos nacionais deveriam servir para desenvolver a indústria, ampliar os investimentos públicos, elevar os salários e aumentar o consumo da população.

Durigan, no entanto, tornou-se um dos principais defensores da política oposta dentro do governo.

O ministro vem discutindo um novo aperto no arcabouço fiscal para um eventual quarto mandato de Lula. Entre as medidas colocadas em discussão está a redução do limite de crescimento das despesas públicas dos atuais 2,5% para 1,5%, além da adoção de novos mecanismos para conter gastos obrigatórios. Essas propostas vêm sendo apresentadas justamente em conversas com representantes do grande capital financeiro.

Ao mesmo tempo, Durigan intensificou sua interlocução com o parasitismo financeiro para assegurar aos banqueiros que um eventual novo governo Lula manterá uma política de austeridade e controle das despesas públicas, a fim de garantir que os recursos sejam entregues apenas aos especuladores, não ao povo necessitado.

A postura diante dos Correios segue a mesma orientação. Em vez de defender a empresa estatal e investir em sua recuperação, Durigan já sinalizou para a possibilidade de privatização, seguindo a política liberal que há anos destrói o patrimônio público brasileiro.

Não se trata, portanto, de uma declaração isolada sobre o tarifaço. A reação de poodle diante de Trump faz parte da mesma política que leva Durigan a agradar aos banqueiros, apertar o arcabouço fiscal e abrir caminho para privatizações.

Para enfrentar as pressões dos Estados Unidos, seria necessário romper justamente com essa orientação. Um governo disposto a defender o País teria de enfrentar o capital financeiro, desenvolver as empresas públicas, fortalecer o mercado interno e utilizar as relações com os países oprimidos como contrapeso ao domínio norte-americano.

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