SBT, Globo e Band estão articulando uma intervenção do governo federal para garantir às emissoras abertas um lugar privilegiado nos controles remotos das televisões conectadas à Internet. As empresas querem que os fabricantes sejam obrigados a incluir uma tecla específica para levar o usuário diretamente aos canais abertos. A proposta conta com apoio da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e está em discussão no Ministério das Comunicações.
A expectativa das emissoras é que a obrigação seja estabelecida por decreto do governo Lula ainda neste ano. A articulação ocorre em meio à crescente disputa das televisões tradicionais com plataformas de vídeo e serviços distribuídos pela Internet.
Durante décadas, Globo e os demais grandes canais desfrutaram de uma situação excepcional. Um pequeno grupo de capitalistas, apoiado em concessões públicas, passou a controlar boa parte daquilo que a população brasileira assistia diariamente.
Essa posição foi particularmente importante para a Globo, que transformou seu domínio sobre a televisão aberta em enorme poder político. Governos, partidos, eleições e acontecimentos nacionais foram submetidos durante décadas ao filtro de algumas poucas famílias proprietárias de redes de televisão.
Agora que a tecnologia reduziu esse poder, os defensores da chamada livre concorrência correm para pedir socorro ao Estado. Não basta competir pela audiência: querem que o governo obrigue o fabricante do aparelho comprado pelo consumidor a reservar uma tecla para eles.
Depois de décadas mandando na programação, os monopólios da televisão querem garantir por decreto que continuarão mandando também no controle remoto.




