Um novo relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades está sendo apresentado como prova de que a situação social do País teria melhorado. Segundo o levantamento, houve resultado positivo em 71% dos indicadores analisados.
O número serve para produzir uma imagem otimista que não corresponde à situação enfrentada pela maioria dos trabalhadores. O próprio estudo registra aumento da concentração de renda.
A renda média do 1% mais rico passou a equivaler a 31,5 vezes a renda média dos 50% mais pobres. De um lado estão pouco mais de 2 milhões de pessoas; do outro, mais de 100 milhões.
O relatório também registra estatisticamente uma elevação do chamado rendimento médio real. Isso não significa que a renda dos trabalhadores brasileiros tenha aumentado. Uma média nacional reúne no mesmo cálculo setores com rendimentos completamente diferentes e pode crescer ao mesmo tempo em que a concentração da riqueza aumenta.
É justamente o que aparece nos números apresentados. Enquanto a propaganda destaca a suposta melhora de 71% dos indicadores, aumenta a distância entre a pequena camada que concentra a riqueza e a metade mais pobre da população.
As diferenças também aparecem quando são comparados grupos distintos da população. Segundo o levantamento, mulheres negras recebem, em média, menos da metade do rendimento registrado entre homens não negros.
A apresentação dos dados como sinal de prosperidade serve para ocultar o fato fundamental: a riqueza produzida pelos trabalhadores continua concentrada nas mãos de uma parcela minúscula da sociedade.




